Líder interino da Guiné-Bissau “com saudades do parlamento”

30 setembro 2013

Sarifo Nhamadjo diz que maior lição é gerir incompreensões no cargo assumido por inerência das funções parlamentares; presidente em transição diz aguardar financiamento internacional para realização de eleições em novembro.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O presidente de transição da Guiné-Bissau disse à Rádio ONU que está com saudades das funções que exerceu no parlamento do país.

Numa entrevista concedida em Nova Iorque, Manuel Serifo Nhamadjo falou do seu percurso na presidência, assumida após o golpe de Estado de 12 de abril do ano passado, que o obrigou a deixar a casa legislativa.

Seis Grupos

“A maior lição é gerir incompreensões. Eu fui confrontado com seis grupos de interesse. De repente, tinha que arranjar solução. Nestes seis grupos estava o meu partido, o Paigc, revoltado com a situação. Eu tinha o PRS, um partido da oposição com estruturas muito bem consolidadas em vários pontos do país com interesses próprios. Tinha o terceiro grupo com vários partidos, cerca de 22 partidos, que tinham também um interesse. A sociedade civil como quarto grupo, as forças armadas e a comunidade internacional, que caiu numa incompreensão completa com o que aconteceu. E conciliar estes seis grupos para um objetivo comum que é um governo de inclusão, uma gestão de transição conjunta para preparar as eleições foi sendo uma das maiores experiências”.

Após o derrube do governo de então, o comando militar avançou a proposta da sua nomeação aos partidos do Conselho Nacional de Transição, na qualidade de ex-líder da Assembleia Nacional Popular.

Carreira Parlamentar

 “Eu fui sempre parlamentar cerca de 18 anos, desde as primeiras eleições multipartidárias, eu fui eleito e continuei durante as quatro legislaturas até o 12 de abril. Agora, quando fui chamado a esta missão porque a nossa Constituição diz que na ausência do presidente da República quem assume é o presidente do Parlamento. Calhou-me desta vez (estar à frente do Parlamento).”

Relativamente às eleições marcadas para 24 de novembro, o presidente de transição da Guiné-Bissau disse que as garantias da sua realização estão condicionadas ao financiamento internacional.

Para Nhamadjo, o início de um registo eleitoral de raiz para o pleito é que deve determinar que haja tranquilidade no processo.

 

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