Guterres descreve cenário de “crise gigantesca” na Síria

26 setembro 2013

Falando à Rádio ONU, alto comissário para refugiados disse que tudo é necessário para apoiar afetados; comunidade internacional forma Grupo Internacional de Apoio ao Líbano, o maior anfitrião de refugiados sírios.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque. 

O alto comissário das Nações Unidas para Refugiados descreveu à Rádio ONU o que chamou cenário de “crise gigantesca” na Síria. António Guterres disse, em Nova Iorque, que tudo é preciso para aliviar a situação humanitária que resulta do conflito.

“É preciso compreender que não basta apenas ajuda humanitária. É preciso perceber que há um impacto estrutural deste enorme número de refugiados no sistema educativo e de saúde. Hoje, há mais estudantes sírios do que libaneses no ensino público no Líbano. Outro dia, visitei um hospital e em 16 incubadoras, 12 estavam com crianças sírias na Jordânia. Portanto, sem um apoio maciço do ponto de vista de desenvolvimento, do reforço das infraestruturas nos países vizinhos será impossível eles resistirem a esta pressão tão gigantesca”, referiu.

Líbano

Guterres participou, em Nova Iorque, numa conferência para mobilizar apoios para refugiados e comunidades vulneráveis afetadas pela crise, além de dar “assistência estrutural e financeira para o Governo libanês.”

O impacto do conflito sírio no Médio Oriente levou à criação, pelas Nações Unidas, do Grupo Internacional de Apoio ao Líbano. O país acolhe 720 mil dos 2 milhões de refugiados do conflito, que desalojou outros 5 milhões de pessoas.

Conflito

A ONU estima que mais de um terço da população síria já deixou o país nos mais de dois anos dos confrontos entre forças governamentais e grupos da oposição, que se saldaram em cerca de 100 mil mortos.

“Tudo é preciso, é preciso receber refugiados, ter fronteiras abertas em todo o mundo, receber refugiados em reinstalação, é preciso dar apoio financeiro a organizações humanitárias e é preciso apoiar aos Estados que estão recebendo os refugiados, e dar-lhes não apenas apoio financeiro mas apoio técnico. Tudo é necessário no presente momento porque esta crise tem uma dimensão à qual o mundo não estava habituado. É uma crise que ultrapassa tudo quanto se podia prever aqui há dois anos”, explicou.

Ao encontro, que decorreu à margem da Assembleia Geral, participaram líderes dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, da Liga Árabe e da União Europeia. Em discussão esteve também o apoio à soberania do Líbano e às instituições da nação mais afetada pela crise síria.

 

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