Conflitos armados vão impedir milhões de crianças de voltar às aulas
BR

10 setembro 2013

Representante do Secretário-Geral para o tema fez o alerta em uma reunião do Conselho de Direitos Humanos; Leila Zerrougui relatou visita à Síria; Portugal participou de reunião pedindo fim da impunidade em conflitos.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Segundo a representante especial do Secretário-Geral para Crianças e Conflitos Armados, muitas escolas estão para reabrir, mas milhões de crianças pelo mundo não poderão frequentar as aulas devido aos confrontos. 

Em uma reunião no Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, Leila Zerrougui falou sobre sua recente visita à Síria.

Zerrougui contou que ouviu na Síria o relato de menores e suas famílias sobre os “horrores do conflito, o medo e a preocupação com a falta de acesso à educação”.

Violações Graves 

A representante da ONU disse que “ataques contra escolas e hospitais” continuam sendo motivo de séria preocupação e poderiam ser considerados “crimes de guerra”.

Zerrougui disse somente no ano passado, 2 milhões de crianças sírias abandonaram a escola. 

Ela lamentou que na Síria e em outros países em conflito, graves violações permanecem. Muitas crianças são assassinadas, mutiladas, sofrem abuso sexual e são recrutadas para o combate por governos ou grupos armados.

Testemunhos

As crianças também são forçadas, segundo Zerrougui, a “testemunhar ou até mesmo cometer atrocidades”.

A representante destacou ainda que a Somália continua sendo o país com o maior número de crianças associadas com grupos armados. Na República Centro-Africana e no leste da República Democrática do Congo, menores estão sendo sendo obrigados a voltar para o combate.

Portugal foi o único país lusófono que participou do encontro no Conselho de Direitos Humanos, pedindo o fim da impunidade para violações dos direitos das crianças em situações de conflito.

Marcas Invisíveis

Também nesta terça-feira, em Genebra, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, afirmou que o conflito sírio está “deixando marcas invisíveis nas crianças”.

A exposição prolongada à violência e ao stress, a perda de amigos e familiares e a piora nas condições de vida estão refletindo no comportamento dos menores sírios.

Segundo o Unicef, os pais estão relatando que as crianças têm pesadelos frequentes, além de atitudes imprudentes e agressivas. Os desenhos desses menores muitas vezes tem teor violento, com imagens de mortes, explosões e destruição. 

A agência acredita que mais de 4 milhões de menores estão sendo afetados pelo conflito.

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