Pillay: “uso de força militar na Síria pode iniciar conflito regional”
BR

9 setembro 2013

Chefe dos Direitos Humanos da ONU afirmou que o sofrimento do povo sírio atingiu nível inimaginável; ela disse que há poucas dúvidas de que armas químicas tenham sido usadas no país.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em NovaYork.*

A alta comissária para os Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, alertou que a ameaça do uso de força militar na Síria ou o contínuo fornecimento de armas aos rebeldes pode iniciar um conflito regional.

Pillay pediu aos países com influência sobre o governo e os grupos de oposição na Síria que encontrem uma forma urgente de levá-los à mesa de negociações e interrompam o derramamento de sangue no país. Para ela, as ações devem ocorrer juntamente com as Nações Unidas.

Resposta Militar

Segundo a chefe dos Direitos Humanos, nem a ameaça externa do uso da força militar, nem a continuidade do fornecimento de armas aos rebeldes podem trazer a paz ao país do Oriente Médio.

Em discurso, esta segunda-feira, na abertura do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, Pillay afirmou que o sofrimento da população civil da Síria já atingiu níveis inimagináveis, e que as ações poderiam resultar em muito mais mortes além da miséria ainda mais generalizada.

Medidas Concretas

Navi Pillay disse “que não há saídas fáceis nem via óbvia para o fim do que chamou pesadelo, além da negociação imediata de medidas concretas para acabar com o conflito. Ela afirmou que a comunidade internacional está muito atrasada para tomar medidas conjuntas sérias para deter a espiral decadente que assola a Síria, que mata seus habitantes e destroi suas cidades.”

Pillay declarou que o número de mortos ultrapassou os 100 mil durante os mais de dois anos do conflito entre forças do governo e da oposição. Segundo a alta comissária da ONU, o número de refugiados aumentou para 2 milhões, além dos 4,2 milhões de deslocados no interior da Síria.

Para Pillay, o momento não é para que o que chamou de  “Estados poderosos” continuem discordando sobre o caminho que deve ser seguido ou em interesses geopolíticos substituindo a obrigação legal e moral de salvar vidas, ao acabar com o conflito.

Armas Químicas

Ela acrescentou que os acampamentos de refugiados dos países vizinhos continuam tentando lidar com a pressão dos deslocados sírios, a poucos meses do inverno.

De acordo com Pillay, há poucas dúvidas de que armas químicas tenham sido usadas na Síria, apesar “das circunstâncias e das responsabilidades ainda precisarem ser esclarecidas.”

No seu pronunciamento, Navi Pillay também manifestou-se alarmada com a contínua violência no Egito e no Iraque, além da persistente repressão sobre defensores dos direitos humanos e manifestantes no Barein.

*Apresentação: Edgard Júnior.