Crianças jornalistas falam de maior inclusão nos media em Angola

23 agosto 2013

Participação e informação infantis constam da Convenção da Criança e na Lei da Proteção e Desenvolvimento da Criança Angolana; seminário sobre reúne representantes de várias partes do país até esta sexta-feira.

 Herculano Coroado. da Rádio ONU em Luanda.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, defendeu um maior espaço de participação e informação públicas para a criança angolana, no âmbito de um evento sobre a comunicação de e para os menores.

Com o apoio da agência decorre um seminário sobre o tema, até esta sexta-feira, em Luanda. A formação é organizada pelo Instituto Nacional da Criança e o Centro de Formação de Jornalistas, Cefojor.

Direito

Dezenas de radialistas-mirins do ensino primário e secundário tiveram contacto com técnicas da área e debateram as vias para a sua maior participação e informação nos mídias em Angola.

Dário da Silva Castro, radialista de 13 anos da província da Huila no Sul de Angola, disse que veio aprender e expressar o direito de ser ouvida, enquanto os adultos tomam decisões.

Opiniões

“Porque eu sou criança, sei aquilo que quero. Sei aquilo que me faz bem, conheço-me a mim mesmo. Ninguém melhor do que eu para dizer quem realmente eu sou. Dai que que eu tenho o direito de expressar realmente as minhas opiniões. Criar debates e questões de alta relevância e poder expressar aquilo que realmente sinto. Porque ali está a importância da participação da criança na tomada de decisões quer de casa, quer de país ou de uma determinada área”, disse.

Em Angola, muitas crianças reclamam do que chamam atitude dos adultos ao tomar decisões do exclusivo interesse infantil. Uma experiência relatada por Alfredo Monico de 14 anos de idade, radialista da província do Huambo.

Realização

A participação e informação infantil é um direito estabelecido na Convenção da Criança e na Lei da Proteção e Desenvolvimento da Criança Angolana. Luciara Kopeteka, de 15 anos de idade, diz que quer ver a realização do direito, por sentir-se, por vezes, ignorada pelos pais.

Literatura

“É bom quando nós temos uma opinião a expor, disse Luciara,“ e os adultos sentam, ouvem-nos, aceitam a nossa opinião e dizem que vão pensar e se calhar vão fazer o que  nós queremos. É muito bom.”

Embora defenda o interesse do Governo em melhorar o quadro, a Directora do Instituto Nacional da Criança, Inac, Ruth Muxinge, reconheceu a fraca programação para menores nos órgãos de comunicação social. Para a responsável, o país produz pouca literatura e informação infantis.

Crescimento Precoce

O início da vida adulta mais cedo nas ruas é o que preocupa a Rodenésia Rodrigues, de 15 anos, radialista da província da Huíla. Ela contou à Rádio ONU que o número cresce, ampliando os casos de gravidez precoce, criminalidade e pobreza.

Para ela, está igualmente em causa o hábito do consumo de conteúdos adultos e o uso das redes sociais com pouca ou sem nenhuma orientação.

Riscos

“Eu tive um exemplo da Novela da TV Zimbo, uma novela muito educativa para crianças”, clama  Rodenésia.

“Eu estava a conversar com alguns colegas se têm acompanhado a novela, eles porém responderam que não, aquela novela é de crianças e para patetas.  Eles não têm mais idade para assistir aquelas novelas porque só apresentam coisas de crianças. São patetas os que assistem aquela novela”, acresceu a pequena Rodenésia.

Redes Sociais

Em declarações à Rádio ONU, o oficial de Comunicação do Unicef, Olívio Gambo, reconheceu os riscos das redes sociais.

Porém, apontou vantagens para o caso da boa utilização desses veículos pela sociedade, a qual defendeu que deve alargar o espaço de participação da criança.

Dificuldades

“O Unicef continua a defender que há a necessidade a todos os níveis do Governo de Angola, promover e criar condições para que a criança possa ser ouvida”, enfatizou o oficial do Unicef.

“Que a sua voz possa ser tida em conta. Que os interesses superiores da criança estejam em primeiro lugar, independentemente das dificuldades que possam existir.”

 

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