ONU celebra Dia Internacional da Juventude com foco na migração

12 agosto 2013

Diretor da OIT aborda contexto dos países lusófonos para defender sistema homogéneo de carreiras; mais de 12% dos jovens entre os 15 e 24 anos são migrantes.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Dia Internacional da Juventude, assinalado neste 12 de Agosto, é celebrado este ano com foco na migração. Apelos para os países de origem e de acolhimento foram lançados por várias agências das Nações Unidas para marcar a data.

De acordo com o Fundo da ONU para a População, Unfpa, mais de 12% dos jovens de idades entre os 15 e os 24 anos cruzam atualmente as fronteiras dos seus países, num fenómeno com “rosto feminino e jovem.”

Oportunidades

Para a agência, a saída dos jovens migrantes visa a busca de novas oportunidades, maior liberdade das tradições e normas locais bem como a possibilidade de afirmar a sua própria identidade.

A Organização Internacional do Trabalho, OIT, revelou que 27 milhões de jovens migrararam dos seus países em 2010. A agência indica que, paralelamente às oportunidades, a migração pode representar riscos e levar a situações inaceitáveis incluindo à discriminação e à exploração

Harmonização

Falando à Rádio ONU, O diretor-adjunto da agência em Nova Iorque, Vinicius Pinheiro, recorreu ao fluxo de jovens migrantes nos países de língua portuguesa para abordar possíveis soluções para a padronização de carreiras.

“Um trabalhador da África que vai para a Europa ou, ao contrário, na verdade o que se tem principalmente nos países de língua portuguesa é que muitos jovens de Portugal estão saindo para o Brasil ou para países africanos de língua portuguesa. Então, é importante que haja um reconhecimento dos currículos. Uma homogenização ao processo que pode acontecer, inclusive, ao nível da Cplp em que as competências sejam reconhecidas. Um médico português deve ter o diploma reconhecido nos países de língua portuguesa e vice-versa, mesmo para o dentista, para o engenheiro e outros num processo que facilita e pode trazer enormes ganhos económicos”, referiu

Destino

O Unfpa destaca que através da migração, adolescentes e jovens contribuem significativamente tanto para os países de origem como para os de destino.

É igualmente referido o “imenso  potencial da migração juvenil para construir pontes sociais, económicas e culturais de cooperação e entendimento entre as sociedades.”

Condições

O fluxo Sul-Norte representa um terço do fenómeno a nível internacional, diz a OIT. Para o Fnuap, quando a migração de jovens ocorre em condições de liberdade, dignidade, igualdade e segurança pode impulsionar o desenvolvimento económico e social nas nações envolvidas.

Mas a agência alerta para o facto de vários migrantes jovens serem “presas fáceis e muitas vezes ficarem retidos em tarefas de exploração e de abuso, incluindo o trabalho forçado. O outro desafio é o de se “tornarem bodes expiatórios para as falhas dos sistemas económicos e sociais.”

Esforços

Aos  países de origem foi recomendado que intensifiquem os esforços para fornecer informações anteriores à partida, formação regular e monitorização da execução de práticas de recrutamento.

Aos países de acolhimento a recomendação é que empreendam com vista a  garantir um tratamento igual aos acolhidos “e o gozo dos mesmos direitos concedidos a qualquer outro trabalhador."

O Unfpa destaca que apesar dos números, os jovens migrantes são invisíveis em debates e políticas de migração internacional. Para maximizar os benefícios potenciais de desenvolvimento das migrações, a agência considera essencial que sejam incluídos os jovens migrantes no discurso do desenvolvimento.

 

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