Guiné-Bissau: relatório cita desafios quanto à mutilação genital feminina

22 julho 2013

Apesar de lei proibitiva, metade das meninas e mulheres entre 15 e 49 anos foi submetida ao procedimento; Unicef estima que 30 milhões de meninas estão em risco de sofrer mutilação genital nos próximos 10 anos.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Um estudo do Fundo da ONU para a Infância, Unicef, aponta a Guiné-Bissau e o Senegal como países onde não está a baixar o número de raparigas e mulheres que manifestam o desejo de ver o fim da mutilação genital feminina.

Uma tendência contrária é observada em quase todas as nações com prevalência moderada citados no relatório “A Mutilação/Incisão Genital Feminina: Uma visão Estatística e Exploração da Dinâmica de Mudança.”

Mudança

Em entrevista à Rádio ONU, de Bissau, a oficial de Programas do Fundo da ONU para a População na Guiné-Bissau, Cândida Gomes Lopes, disse que a abordagem para desencorajar a prática está a mudar no país.

“Não se vai só dizer ‘vocês devem parar’, mas há um conjunto de outras atividades que são feitas. Ações que estão a ser levadas a cabo,  a nível local, como albitização, ensinamento nos domínios de saneamento básico,  etc., que leva as as pessoas a entender porque se pede que a abandonem a prática, O conjunto das atividades levadas a cabo levam às pessoas a entenderem, ao fim ao cabo que a prática não é boa”, disse.

Lei

O documento refere que na nação de língua portuguesa, 18%  das guineenses já submetidas ao procedimento sofreram a incisão depois de 15 anos.

Estima-se que metade das meninas e mulheres entre 15 e 49 anos foi submetida à mutilação genital feminina no país, que em 2011 aprovou uma lei que proíbe o procedimento.

Na próxima década,  30 milhões de meninas estão em risco de sofrer mutilação genital, revelam os dados recolhidos em 29 países da África e do Médio Oriente, onde a prática persiste.

Declínio

Nas regiões, as meninas são menos propensas à excisão do que eram há 30 anos. O apoio dado à prática está em declínio, mesmo em países onde esta ocorre de forma universal como o Egito e o Sudão.

A pesquisa  cita ainda um estudo  sobre o grupo étnico guineense dos Mandingas, que estabelece uma relação entre o ato, as identidades étnica e islâmica. A circuncisão é tida na comunidade como um pré-requisito para a pureza ritual necessária para a oração e sinal de pertenção ao grupo.

Casamento

Mas a  Guiné-Bissau foi tida como um exemplo positivo de programas que visam melhorar a posição de meninas e mulheres na sociedade, que têm ajudado  a desencorajar a incisão, e casos de casamento infantil ou forçado. O desempenho também é mencionado na Etiópia e a Tanzânia.

O Unicef estima-se que, em todo o mundo, mais de 125 milhões de meninas e mulheres tenham sido submetidas à mutilação genital feminina.

Perigo

Apesar da queda geral no número de adeptos da prática, considera-se que milhões de meninas continuam em perigo considerável.

O relatório destaca haver uma  diferença entre as opiniões pessoais sobre a incisão e o sentido enraizado na obrigação social que alimenta a sua continuidade. A manutenção da incisão é agravada pela falta de comunicação aberta sobre o assunto, considerado sensível e privado.

 

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