ONU: América Latina deve melhorar serviços e governança
BR

12 julho 2013

Mais de 20 ministros do Desenvolvimento Social da região discutem como avançar além do problema da redução da pobreza; eles querem reduzir a desigualdade, melhorar os serviços públicos e exigir maior responsabilidade dos governos.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

Os países latino-americanos debatem, nesta sexta-feira, novas medidas sociais que avancem além do problema da redução da pobreza.

Mais de 20 ministros do Desenvolvimento Social da região estão reunidos em Nova York, para discutir como diminuir a desigualdade entre as classes e atender as novas exigências da crescente classe média.

Agenda

Na agenda estão, melhores serviços públicos e mais responsabilidade do governo.

Na abertura do Sexto Fórum Ministerial para o Desenvolvimento, a chefe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, que também promove o evento, Helen Clark, elogiou o sucesso da América Latina.

Segundo ela, a região conseguiu retirar milhões de pessoas da pobreza e os governos estão se esforçando para implementar mais transparência nas suas decisões.

Desafio

O diretor do Pnud para a América Latina e o Caribe, Heraldo Muñoz, afirmou que o desafio é aprimorar as instituições para que elas possam responder a um novo nível de cidadania.

Muñoz disse que muitos dos protestos nas ruas dos países da região começaram pela classe média que aspira por mais coisas e exige serviços públicos de qualidade e um bom tratamento.

Lucro

O especialista da Universidade Harvard, Michael Porter, afirmou que os empresários locais e as companhias multinacionais têm um papel crucial para aliviar a pobreza e reduzir a desigualdade na América Latina.

Para isso, segundo Porter, basta que eles ofereçam produtos e serviços que gerem lucro e ao mesmo tempo, alavanquem o crescimento econômico e social.

Vulnerável

Um estudo do Pnud apresentado pela ex-ministra do planejamento do Chile, Clarisa Hardy, mostrou que 38% da população latino-americana está numa situação vulnerável, vivendo com um salário entre US$ 4 e US$ 10 por dia, aproximadamente R$ 8 e R$ 20.

Segundo o documento, essas pessoas correm o risco de voltar para a pobreza, principalmente por causa da qualidade de ensino, falta de acesso aos serviços de saúde e condições precárias de trabalho.

O Pnud classificou a Argentina, o Chile e o Uruguai entre os países com os menores níveis de pobreza. Brasil, Bolívia, Colômbia, Costa Rica e México estão entre as nações consideradas com uma população pobre de médio porte e uma classe média emergente.

Já El Salvador, Paraguai e Peru estão entre os países com alto nível de pobreza e com uma fraca classe média.

Ricos

O Pnud afirmou que, no geral, mais de 30% da população latino-americana vive com menos de US$ 4 por dia, considerada na faixa da pobreza. Praticamente a metade desse índice, 16%, vivem na extrema pobreza, com menos de US$ 2,50 diários.

O estudo mostrou que os ricos representam apenas 2% da população da região e a classe média chega a quase 30%.

O documento diz ainda que 10 dos 15 países com maior desigualdade no mundo estão justamente na América Latina. Ao mesmo tempo, o progresso é visível na região, em 16 países a desigualdade salarial caiu na última década.

 

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