Unctad recomenda que governos africanos impulsionem o setor privado

11 julho 2013

Relatório sobre desenvolvimento econômico em África foi divulgado esta quinta-feira; elogiada decisão de eliminar barreiras de comércio dentro do continente. 

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, lançou esta quinta-feira o relatório “Desenvolvimento Económico em Africa 2013”.

O documento elogia a decisão de eliminar barreiras de comércio dentro do continente, com vista a promover a economia regional. A medida foi tomada pelos líderes africanos em janeiro do ano passado.

Comércio Interno

Mas a Unctad alerta para a necessidade de se tomar medidas vigorosas que impulsionem o setor privado. O relatório nota que o comércio interno em África, incluindo as exportações e importações, totalizou US$ 130,1 mil milhões em 2011.

As estatísticas para África são baixas na comparação com outras regiões, diz o documento. Entre 2007 e 2011, a participação média das exportações intra-regionais foi de 11% em África, de 50% na Ásia e de 70% na Europa.

O relatório nota que apesar da importância da eliminação de barreiras, o impacto só será o desejado caso seja complementado com esforços dos governos para aumentar a variedade dos bens produzidos pelas economias.

Para isso, são recomendadas melhorias na infraestrutura e nas habilidades da força de trabalho; encorajamento do setor empresarial e aumento das indústrias de manufatura, para que possam satisfazer um mercado maior e produzir bens em maior escala.

Terras Aráveis

A Unctad destaca que oportunidades ainda não exploradas são encontradas em especial na agricultura, já que 27% das terras aráveis do mundo estão em África. Apesar disso, muitos países do continente ainda importam alimentos e produtos agrícolas de outras regiões.

Em relação ao comércio intra-regional, Benim e Botswana são os únicos países a exportar carne para o resto do continente, enquanto o arroz é exportado apenas por Cabo Verde e Benim.

A longo prazo, o desafio é melhorar a capacidade das indústrias em fornecer bens onde há aumento da demanda regional. O relatório diz que a maioria dos produtos manufaturados é exportado entre as nações africanas. 

O continente é responsável por apenas 1% da produção global. Isso significa que os países africanos precisam importar carros, máquinas e itens eletrónicos de outras partes do mundo.

Maiores Fábricas

O relatório da Unctad nota ainda que África tem uma das taxas mais altas do mundo para o transporte de bens. Na África Central, transportar uma tonelada de bens do Camarões

Foto: Banco Mundial

ao Chade custa US$ 0,11 por quilómetro, mais que o dobro de custo na Europa.

Os países africanos têm entre as principais matérias-primas como o petróleo, o gás natural e os metais. Angola e Cabo Verde, por exemplo, exportam petróleo e barcos; já Guiné-Bissau exporta peixe. Derivados do petróleo estão entre os principais produtos de exportação de Moçambique e Guiné-Bissau.

A Unctad ressalta a necessidade de se aumentar o tamanho das empresas africanas para que se tornem mais competitivas. Uma indústria na África Subsaariana tem 47 empregados, comparados com 171 na Malásia e 977 na China.

Por fim, o relatório considera de importância vital aos países africanos manter a paz e a estabilidade, consideradas pré-requisitos para o desenvolvimento do setor privado e do aumento do comércio regional.

*Apresentação: Eleutério Guevane.

 

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