Urbanização rápida levará 3 bilhões a viverem em favelas até 2050
BR

2 julho 2013

Pesquisa da ONU revela que tendência ameaça desenvolvimento sustentável; levantamento calcula que mais de 6 bilhões de pessoas vão morar em cidades.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

Um relatório da ONU divulgado nesta terça-feira, mostrou que a rápida urbanização ameaça o desenvolvimento sustentável.

A Pesquisa Econômica e Social Mundial das Nações Unidas calcula que aproximadamente 6,2 bilhões de pessoas vão viver em áreas urbanas até 2050.

Favelas

Segundo o documento, mais da metade estará em favelas com pouco ou nenhum acesso aos serviços básicos de infraestrutura, como fornecimento de água, saneamento básico, eletricidade, saúde e educação.

A secretária-geral assistente para desenvolvimento econômico, Shamshad Akhtar, afirmou que a principal preocupação da ONU é com o fato de que uma em cada oito pessoas no mundo sofre de desnutrição crônica.

Segundo ela, se a tendência atual continuar, a meta de cortar pela metade a proporção de pobres que passam fome até 2015, não será alcançada, principalmente na África Subsaariana e no sul da Ásia.

Desperdício

Akhtar afirmou que com 9 bilhões de pessoas no planeta até 2050, a oferta de alimentos terá de aumentar 70% para atender a demanda.

O relatório pede mudanças não só no consumo de alimentos mas também nos padrões de produção globais para reduzir o desperdício. Atualmente, 32% de toda a comida produzida no mundo é jogada fora.

Ele alerta que são necessárias novas estratégias para lidar com os impactos causados pelo avanço das áreas urbanas.

Produção

O representante do Departamento da ONU para Assuntos Econômicos e Sociais, Desa, Sérgio Vieira, disse à Rádio ONU que é possível aumentar a produção de alimentos para atender à demanda.

Vieira participou da elaboração da pesquisa do Desa no capítulo de segurança alimentar.

“É possível. Agora, vai haver realmente grandes desafios pela frente. Você referiu agora aos 70% ( da produção de alimentos) e isso estamos a falar a nível global. Mas se formos ver os países em desenvolvimento, esse crescimento da oferta vai ter que aumentar 100%, ou seja, vai ter que duplicar. E aí é que estão os maiores desafios.”

Vieira lembrou ainda que além da produção, há também o problema do acesso. Em muitas regiões as pessoas que necessitam de comida não têm como chegar aos locais de venda.

Desafios

O documento diz que o mundo enfrenta desafios nas três dimensões do desenvolvimento sustentável; econômico, social e ambiental. Mais de 1 bilhão de pessoas ainda vivem em condições de extrema pobreza e a desigualdade de salários continua aumentando globalmente.

Além disso, o relatório mostra que um ritmo de consumo insustentável combinado com o padrão de produção resultaram em gigantescos custos sociais e econômicos que podem colocar em risco a vida no planeta.

Para os especialistas, o desenvolvimento sustentável precisa ser inclusivo e prover um cuidado especial às necessidades dos mais pobres e vulneráveis.

Brasil

O documento cita ainda os avanços conquistados no mundo para reduzir a pobreza. O Brasil é citado como um exemplo de sucesso. Ele explica que o país teve mais êxito na redução da pobreza, em parte, porque também conseguiu reduzir a desigualdade, indo contra a tendência geral vista nos outros países.

Pesquisas anteriores mostraram que a redistribuição de apenas 1% da renda dos mais ricos pode fornecer ajuda aos 20% mais pobres da população.

Curitiba foi mencionada pelo relatório como uma das cidades que conseguiu unir desenvolvimento e crescimento sustentável.

O documento diz que a cidade brasileira ganhou reconhecimento mundial pela ação integrada do sistema de transporte público implementada nos últimos 40 anos.

Além disso, o relatório cita o subsídio dado aos mais pobres para que usem os meios de transporte públicos.

Curitiba tem 60 metros quadrados de área verde por habitante, um dos índices mais altos do mundo.

 

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