ONU cita risco de novo recrutamento de mais de 50 menores congoleses

ONU cita risco de novo recrutamento de mais de 50 menores congoleses

Tentativa é atribuída aos rebeldes do M23 na província do Kivu Norte;  segundo a ONU, 30 mil crianças lutam ou vivem com forças armadas ou grupos de milícias no país.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

As Nações Unidas revelaram preocupação com relatos dando conta de que pelo menos 53 crianças estariam a correr o risco de ser novamente recrutadas na República Democrática do Congo, RD Congo.

Nesta segunda-feira, a Missão da ONU no país, Monusco, e a representante do Secretário-Geral para Crianças e Conflitos Armados, Leila Zerrougui, condenaram a tentativa atribuída aos rebeldes do M23.

Fações

As crianças integravam um grupo de pelo menos 70 que, após ter sido recrutado, escapou em fevereiro durante confrontos entre fações do M23. Os atos ocorreram no território de Nyagongo, província do Kivu Norte.

Desde então, 17 menores teriam fugido da área, enquanto os restantes continuaram escondidos em vários locais.

Meninas

As Nações Unidas estimam que 30 mil crianças congolesas combatam ou vivam com forças armadas ou grupos de milícias. Até 40% destes são meninas. A RD Congo está no topo da lista dos países onde os menores são usadoscomosoldados, escravos sexuais ou trabalhadores.

A Monusco disse que continua a receber relatos preocupantes de que os rebeldes pedem aos chefes locais que identifiquem e entreguem os combatentes que desertaram do grupo. 

Abuso

O comunicado refere que as crianças não correm apenas o risco de voltar a ser recrutadas pelo M23, mas enfrentam graves ameaças à segurança.

Leila Zerrougui pediu tanto ao M23, como aos outros grupos, que parem imediatamente com o abuso de crianças, tendo lembrado aos líderes que seriam pessoalmente responsabilizados.

Segundo recordou, as violações puníveis contra as crianças, incluem a sua integração em suas fileiras, mas também o seu novo recrutamento ou utilização.

*Apresentação: Denise Costa.