Comissão de investigação vê indícios de armas químicas na Síria BR

Comissão de investigação vê indícios de armas químicas na Síria

Presidente da Comissão, Paulo Sérgio Pinheiro, diz que conclusão é baseada em relatos e testemunhos de sírios, mas não há provas contundentes sobre o tipo de agentes químicos; para ele, conflito atingiu “novos níveis de brutalidade.”

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

Especialistas das Nações Unidas que estão investigando a violência na Síria dizem que há “indícios de uso de armas químicas” no conflito. A Comissão de Inquérito apresentou seu mais novo relatório, nesta terça-feira, em Genebra.

Segundo o presidente da Comissão, o professor brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, não há provas contundentes sobre o tipo de agentes químicos e que lados do conflito os teriam utilizado.

Novos Níveis

“Nós não temos nenhuma evidência concreta. Não fomos capazes ainda de assegurar quem usou, que elementos químicos, se foi o Estado ou um dos lados.”

De acordo com o mais novo relatório da ONU, a violência política na Síria “atingiu novos níveis de brutalidade.” A Comissão afirma que crimes de guerra e graves violações de direitos humanos continuam sendo praticadas em ampla escala de violência.

Os crimes estariam sendo cometidos por forças do governo e milícias associadas. Entre os ataques estão assassinatos, torturas, desaparecimentos forçados, violência sexual e bombardeios. 

Deterioração

A violência sistemática ocorre em áreas simpatizantes da oposição forçando os moradores a fugir de suas casas.

O representante da Síria na ONU, Faysal Khabbaz Hamoui, criticou o relatório dizendo que o documento não é “objetivo e tenta fazer a liderança síria de vilã.”

Segundo o embaixador sírio, a Comissão continua insistindo em exagerar as conclusões do relatório. Ele disse ainda que o grupo utiliza uma linguagem sectária e esquece de mencionar a deterioração sócio-econômica de sanções injustas impostas por certos países árabes e estrangeiros ao povo sírio.

Dimensão da Violência

De acordo com a Comissão de Inquérito, grupos armados antigoverno estão cercando cidades na Síria, especialmente na região de Alepo. Eles também estariam cometendo crimes

Militar da ONU na Síria de guerra e aumentando o número de execuções sumárias, torturas e saques.

Para os especialistas da ONU, a dimensão da violência cometida pelos rebeldes ainda não atingiu a escala da praticada pelo governo e por milícias simpatizantes do regime sírio.

O presidente da Comissão de Inquérito voltou a afirmar que todas as partes do conflito têm de se sentar à mesa de negociações.

Saída Diplomática

“A luta na Síria, hoje, não está sendo desenvolvida só pelos interesses da população síria, mas por interesses específicos das várias forças que estão por trás dos diferentes lados em luta. (É preciso) convencer os grupos em luta para virem para mesa de negociação. Não há outra saída se não a saída diplomática para o conflito.”

O relatório cobre o período de 15 de janeiro a 15 de maio e se baseou em 430 entrevistas e provas coletadas durante quatro meses.

A violência política na Síria já matou mais de 80 mil pessoas.