OIT prevê mais 8 milhões de desempregados nos próximos dois anos

3 junho 2013

Portugal baixou taxa de emprego em mais de 3%; relatório destaca implementação de prioridades sociais em Cabo Verde e aumento do salário mínimo no Brasil como exemplos globais.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O Relatório Mundial do Trabalho 2013, lançado esta segunda-feira, aponta para sinais encorajadores de melhorias na área, mas ainda frágeis nas economias emergentes e em desenvolvimento.

O estudo “Reparando os Tecidos Económico e Social”, em tradução livre, estima que, em todo o mundo, o número desempregados deverá aumentar para cerca de 208 milhões nos próximos dois anos.

Recuperação Lenta

O informe da Organização Internacional do Trabalho, OIT, atribui o fenómeno à recuperação lenta da crise financeira. Cerca de 8 milhões desempregados devem surgir durante o período.

Entre os países de língua portuguesa, o Brasil é citado por ter optado por medidas que ajudaram a reduzir a pobreza, como o aumento do salário mínimo e o programa de transferência de renda “Bolsa Família.”

A OIT refere que os grupos que colhem maiores benefícios da subida são os que auferem baixos salários, os que têm baixas qualificações e as mulheres.

Tendência

A medida brasileira também se teria traduzido em melhorias para os grupos de renda média. O estudo menciona estudos da América Latina referindo que um aumento em 10% em salários mínimos implica uma subida dos salários médios de entre 1% e 6 %.

O caso brasileiro espelha uma tendência crescente do “papel de salários mínimos na promoção da justiça social, ao melhorar a vida dos trabalhadores com baixos salários e reequilibrar as economias nacionais.” 

Desigualdades 

Mas o documento refere também que várias  economias avançadas continuam a enfrentar uma tendência de subida e até mesmo de aumento do desemprego e das desigualdades.

Portugal é mencionado ao lado de países como Grécia, Irlanda e Itália, onde aumentam o número de desempregados desde o início da crise, tendo registado mais demissões entre os que auferiam os salários mais baixos. O país também integra o grupo onde, nos últimos dois anos, a taxa de emprego baixou mais de 3%.

Prioridades Sociais

Cabo Verde é citado pela queda significativa nos níveis da pobreza em cerca de 20 pontos percentuais entre 1999 e 2010. Embora tenha ocorrido um forte crescimento económico, este foi acompanhado da realização de várias prioridades sociais.

O país é das poucas economias africanas que deverá cumprir os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milénio até 2015.

África 

No Médio Oriente e norte de África, embora as perspetivas de crescimento tenham melhorado desde a Primavera Árabe, o informe destaca a continuação de lutas políticas em muitos países.

Já a África Subsaariana terá diminuído o risco de agitação social, tendo sido destacada a manutenção do crescimento do Produto Interno Bruto, PIIB, que se manteve ligeiramente acima dos 5 % em 2011 e 2012.

Recuperação

A região da América Latina e Caraíbas foi destacada pela recuperação relativamente rápida da crise global, em grande parte devido à combinação de políticas fiscais expansionistas.

Ao lado do Leste da Ásia, do sudeste da Ásia e do Pacífico testemunhou um declínio no risco de agitação social entre os pré-crise e a pós-crise.

*Apresentação: Denise Costa.

 

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