Do Haiti ao Sudão do Sul, boinas-azuis relatam rotina nas missões de paz
BR

29 maio 2013

Militares do Brasil e de Portugal destacam importância de seu trabalho para  aumento da segurança em países em conflito; no Dia Internacional dos Boinas-Azuis, ONU honra os que perderam a vida em serviço.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.*

Nesta quarta-feira, 29, Dia Internacional dos Boinas-Azuis, as Nações Unidas estão prestando uma homenagem aos profissionais que ajudam países em conflito ou em transição.

Em mensagem, o Secretário-Geral Ban Ki-moon lembra os 111 funcionários de operações de paz da ONU que morreram em serviço no ano passado. Ban saúda a coragem e lamenta as mortes dos boinas-azuis.

Milhares de Soldados

Segundo o Secretário-Geral, em quase 65 anos de história da organização, mais de 3,1 mil soldados de paz morreram. Atualmente, a ONU tem 16 missões de paz pelo mundo, com o apoio de 111 mil soldados de 116 países.

Na mais nova nação do mundo, o Sudão do Sul, trabalham militares de vários países, como Austrália, China, Estados Unidos e também do Brasil. 

Contribuição

O major Clauber Rego integra a Missão da ONU no Sudão do Sul, Unmiss. Com mais de 20 anos de carreira, ele contou à Rádio ONU, de Yambio, sudoeste do país, que ser um boina-azul é realizar um sonho da juventude.

 “A gente tem podido contribuir com o aumento da segurança aqui no estado e nós sempre temos esse sonho. Eu lembro da minha época de tenente, quando o Brasil participava de missões em Angola e Moçambique, e nós sempre almejamos ter a oportunidade de contribuir numa missão de paz da ONU. Quando estamos em missão, nós aprendemos muito também. É um privilégio para nós militares do Exército Brasileiro contribuir nessas missões de paz ao redor do mundo.”

Presença Feminina 

Também na Unmiss trabalha a portuguesa Kátia Cristina da Silva. Da cidade de

Kátia da Silva com outros integrantes da Unmiss

Bentiu, no norte do Sudão do Sul, ela explicou que o papel das mulheres boinas-azuis é muito importante para as tropas conquistarem a confiança dos civis.

“Nós aqui trabalhamos, sobretudo, com prevenção de conflitos. Nas patrulhas, nós tentamos integrar, no mínimo, um elemento feminino, o que facilita bastante a comunicação com as mulheres. Neste momento, a situação que a mim mais preocupa são as mulheres que chegaram do norte com um grupo de milícias e que estão há um mês vivendo, literalmente, debaixo das árvores. Não têm abrigo nenhum. Ainda não conseguimos arranjar comida, mas estamos fazendo contatos.”

Segundo o Secretário-Geral, tem aumentado a demanda pela implementação de operações “multi-dimensionais”, com atenção especial à proteção de civis, em particular mulheres e crianças.

Atividades

Este é exatamente um dos focos da Missão de Estabilização da ONU no Haiti, Minustah. De Porto Príncipe, o coronel Ribeiro Rocha, chefe da Comunicação do batalhão brasileiro, falou sobre algumas das operações.

Batalhão do Brasil organiza brincadeiras no Haiti. Foto: Minustah

Segundo ele, o trabalho das tropas brasileiras vai além da missão militar, inclui ações sociais.

“A gente proporciona distribuição de água potável, que é um bem caro aqui no Haiti; alimentação; distração para as crianças, como brincadeiras, jogo de futebol, capoeira. A gente também realiza assistência médica e odontológica, distribuindo kits de higiene bucal. Também fazemos palestras de prevenção ao câncer de mama e ações preventivas com relação ao cólera.”

Paz Duradoura

No Dia Internacional dos Boinas-Azuis, o Secretário-Geral lembra que as forças de paz da ONU trabalham ainda para ajudar a reformar as instituições nacionais e assim, garantir o Estado de direito.

Ban Ki-moon destaca que as missões se adaptam para cumprir seus mandatos de uma melhor maneira e “levar a paz duradoura a países arrasados por guerras”.

*Com reportagem de Edgard Júnior.

 

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