Guiné-Bissau pode ser referência económica regional, diz Ramos Horta

10 maio 2013

Para o representante do Secretário-Geral da ONU no país, há potencial para que este seja equiparado à Costa do Marfim de uma época em que era comparado à Suíça, pelos avanços no continente africano.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O representante do Secretário-Geral da ONU na Guiné-Bissau disse que o país de língua portuguesa tem condições para se tornar uma referência económica entre as nações da região da África Ocidental.

Ramos Horta falava à Rádio ONU, em Nova Iorque, onde apresentou no Conselho de Segurança o relatório do primeiro trimestre do seu trabalho no país.

Recursos

O antigo presidente timorense e Prémio Nobel da Paz citou o que chamou papel intervencionista e solidário da comunidade internacional, tendo defendido que este deve ser aliado aos recursos locais na Guiné-Bissau.

“Poderá ser um dos países mais ricos de toda a região. Poderá vir a ser a nova Costa do Marfim dos anos 60 e 70. A Cote d’Ivoire era a Suíça, o exemplo de toda a África. A Guiné-Bissau pode ser isso, tem população pequena, muito potencial de agricultura, potencial mineral e de pesca. Mas isso exige, primeiro, eleições livres e democráticas, consciência e unidade entre todos os políticos guineenses,” disse.

Ordem e Estabilidade

Como representante, Ramos Horta está a cargo da primeira fase da restauração da ordem constitucional e da estabilidade. O processo deve culminar com eleições presidenciais e legislativas, que o antigo presidente timorense prevê que sejam realizadas até novembro, antes de se seguir para o que considerou uma nova etapa.

“Que irmãos da Guiné-Bissau ponham de lado os interesses político-partidários, unam-se todos num governo de grande inclusão - entre o partido mais votado, com o segundo, o terceiro e o quarto. Deve ser uma grande aliança de irmãos para governar o país durante cinco anos com forte apoio internacional. Assim, acredito, a Guiné-Bissau pode sair, definitivamente, da crise do passado, reocupar o seu lugar que lhe cabe na comunidade internacional, desenvolver infraestruturas, a sua economia porque o país tem um grande potencial”, disse.

Programas Proativos

A fase posterior seria, de acordo com o relatório, a criação de um ambiente político baseado na confiança e não-ingerência nos processos eleitorais. No relatório, Ramos Horta pediu programas mais proativos da diplomacia preventiva.

O país é administrado por um governo de transição na sequência do golpe de Estado ocorrido em abril de 2011, dez dias antes da realização da segunda volta das eleições presidenciais.

 

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