Unodc quer reforço de penas para crimes contra vida selvagem e florestas
BR

24 abril 2013

Agência da ONU diz que casos precisam ser tratados como uma séria forma de crime organizado; somente no leste da Ásia, comércio ilegal de produtos de madeira movimenta US$ 17 bilhões; na África Central foram mortos 7,5 mil elefantes por causa do marfim.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 

As Nações Unidas estão pedindo aos países que classifiquem os  crimes contra as florestas e a vida selvagem como “uma séria forma de crime organizado transnacional”. O apelo foi feito nesta quarta-feira, durante a sessão da Comissão sobre Prevenção do Crime e Justiça Criminal, em Viena, na Áustria.

O alerta é do diretor-executivo do Escritório da ONU contra Drogas e Crime, Unodc, Yuri Fedotov e do secretário-geral para a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Selvagens, Cites, John E. Scanlon.

Ásia e Pacífico

O Unodc e a Cites querem mais combate a esses crimes, em especial nas áreas de legislação, aplicação da lei, análise criminal e cooperação internacional.

Um relatório, lançado recentemente pelo Unodc, mostra que o valor total de comércio ilegal da vida selvagem no leste da Ásia e Pacífico é de US$ 2,5 bilhões por ano, ou cerca de R$ 5 bilhões.

A agência destaca o impacto arrasador na biodiversidade do planeta: na mesma região, só o comércio ilegal de produtos de madeira movimenta US$ 17 bilhões.

Tigres e Elefantes

O diretor do Unodc, Yuri Fedotov, lembra que na luta “contra a extinção de espécies animais e das florestas”, é preciso focar na criação de respostas mais fortes contra essa ameaça global.

Ele ressalta que em todo o mundo, somente 3,2 mil tigres vivem nas selvas e que em 2010, foram assassinados 7,5 mil elefantes na África Central, devido à demanda do mercado asiático.

Lavagem de Dinheiro

Já o chefe da Cites, John Scanlon, afirmou que “para combater seriamente esses crimes”, é preciso um trabalho conjunto “que leve a investigações, acusações e condenações”.

Segundo o Unodc, além de destruir a biodiversidade, crimes contra florestas e a vida selvagem também contribuem para a lavagem de dinheiro, assassinatos e violência extrema. Fedotov sugere legislações nacionais prevendo pena de pelo menos quatro anos para esses crimes.

O Unodc e a Cites trabalham em conjunto com a Interpol, a Organização Mundial das Alfândegas e o Banco Mundial, dando apoio a governos e agências para proteger os recursos naturais da exploração criminal.

 

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