Relator da ONU quer que Indonésia suspenda execuções
BR

28 março 2013

Christof Heyns disse que país asiático deve restringir aplicação da pena capital após morte de homem acusado de crimes relacionados ao uso ou tráfico de drogas.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

Um relator independente de direitos humanos pediu ao governo da Indonésia que restrinja a pena de morte no país.

Em comunicado, Christof Heyns condenou a execução de um homem acusado de crimes relacionadas ao uso ou tráfico de drogas.

Corredor da Morte

Adami Wilson foi executado apesar dos apelos de defensores dos direitos humanos e organizações civis para que a sentença fosse suspensa.

De acordo com relatos recebidos pela ONU, Wilson foi morto por um pelotão de fuzilamento no último dia 14, em Jacarta. Foi a primeira execução na Indonésia desde novembro de 2008.

O procurador-geral do país anunciou que outros 20 prisioneiros condenados à pena de morte serão executados até o fim do ano.

O Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU acredita que cerca de 130 pessoas estão no chamado corredor da morte na Indonésia, e mais da metade dessas condenações está relacionada a crimes ligados às drogas.

Intenção de Matar

Heyns afirmou que a prática é inaceitável. E lembrou que de acordo com a lei internacional, a pena capital é “considerada uma forma extrema de punição, que quando usada, deve ser somente aplicada aos mais sérios crimes, como por exemplo homicídio doloso, o que tem intenção de matar, e somente após um julgamento justo.”

O relator encerrou o comunicado dizendo que espera que o debate nacional na Indonésia sobre a pena de morte leve o governo a considerar uma moratória das execuções.