Trabalhadores do Unicef transferidos da República Centro-Africana

26 março 2013

Agência das Nações Unidas afirmou que 60 mil crianças foram atingidas pelo conflito no país; Fundo declara que os jovens correm risco de violência e recrutamento por grupos armados.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, decidiu transferir todos os seus funcionários da República Centro-Africana.

De acordo com o Unicef, aproximadamente 60 mil crianças foram afetadas pelo conflito no país. Nos últimos três meses, comunidades localizadas nas regiões controladas pelos rebeldes Séléka não tiveram acesso aos serviços básicos.

Grupos Armados

A agência da ONU informou que as crianças correm risco de recrutamento por grupos armados e de exposição à violência. Para o Fundo, a maioria das crianças consideradas “vulneráveis” estão associadas aos grupos armados.

Estas crianças perderam as suas casas, foram separadas das suas famílias e, muitas vezes, já fizeram parte de facções rebeldes.

O Unicef calcula que, mesmo antes do início do conflito, 2,5 mil crianças, incluindo meninos e meninas, faziam parte de grupos armados no país.

Condenação

Entretanto, o Conselho de Segurança da ONU juntou-se às vozes condenatórias aos recentes ataques e à tomada de poder pela força no país  africano.

Em nota, os países-membros declararam-se contrários à ação, comandada pela coligação de três grupos armados no último domingo, que acabou por gerar violência e saques.

O comunicado seguiu a mesma linha do pronunciamento do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, que também condenou a operação no país.

Força

O Conselho de Segurança deplorou também o uso de força, que resultou na morte de soldados sul-africanos, que integravam a força de paz em operação na República Centro-Africana.

Os países-membros citaram ainda a decisão adotada, nesta segunda-feira, pelo Conselho de Segurança e Paz da União Africana, que suspendeu a participação do país nas atividades da organização continental.

Direitos Humanos

Além disso, a União Africana afirmou que as ações dos líderes da Séléka violaram o acordo de Libreville e prejudicaram a frágil estabilidade da República Centro-Africana.

Os países-membros pediram a todas as partes envolvidas na disputa que evitem atos de violência contra civis, permitam acesso à ajuda humanitária, de acordo com o Direito Internacional e respeitem os direitos humanos.

Leis

O Conselho de Segurança enfatizou que os responsáveis por abusos ou violações das leis internacionais deverão ser levados à justiça.

Entre os crimes estão a violência contra civis, de género ou sexual. Ainda na lista, as autoridades citaram o uso de crianças-soldados em conflitos armados.

O Conselho pediu ainda a restauração do  Estado de Direito, a ordem constitucional e a implementação do acordo de Libreville.

*Apresentação: Denise Costa.

 

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