Ban fala de consequências do comércio de escravos para africanos

25 março 2013

Secretário-Geral defende que mundo se inspire no passado para combater formas contemporâneas do fenómeno, no Dia Internacional da Memória das Vítimas da Escravatura e do Tráfico Transatlântico de Escravos.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Secretário-Geral da ONU disse que africanos e pessoas com ascendência africana continuam a sofrer as consequências “de atos brutais”, do comércio de escravos.

As declarações de Ban Ki-moon constam de uma mensagem alusiva ao Dia Internacional da Memória das Vítimas da Escravatura e do Tráfico Transatlântico de Escravos, assinalado este 25 de Março.

Académicos

A data é marcada por uma sessão especial na Assembleia-Geral, que além de altos funcionários da ONU terá intervenções  de académicos e representantes de vários países-membros.

Falando à Rádio ONU, da Cidade da Praia, o assessor do ministro da Cultura de Cabo Verde e antigo responsável pela Candidatura da Cidade Velha a Património Mundial da Humanidade, Charles Aquibodé, disse que a data é também para celebrar.

Vitória

“Não temos de chorar mas temos de celebrar uma vitória. A vitória das pessoas que foram nos porões dos barcos e, hoje, mobilizam milhares e biliões, em dinheiro, através da economia da cultura, da economia criada pelo mercado da música e através do turismo cultural. Para nós é uma vitória, por isso que lançamos um apelo para lançar um portão de regresso, em Cabo Verde, que é o portão da celebração da vitória”, disse.

No seu pronunciamento, Ban lembra que o comércio de escravos durou 400 anos e fez mais de 15 milhões de vítimas. Ban realça que o dia serve para dizer ao mundo que nunca se deve esquecer do crime contra a humanidade.

Afro-americanos

As celebrações de 2013, coincidem com os 150 anos da promulgação pelo antigo presidente norte-americano, Abraham Lincoln, da Proclamação da Emancipação, que acabou com a escravidão no país. Ban destaca a libertação de “milhões de afro-americanos” pelo ato.

O chefe da ONU destaca, igualmente, o fim da escravatura no Canadá, nas Índias Ocidentais Britânicas e no Cabo da Boa Esperança com a assinatura da Lei da Escravatura Indígena, em 1843.

Ex-colónias

A mensagem menciona ainda a abolição da escravatura na França há 165 anos, na Argentina há 160 anos, há 150 anos nas ex-colónias holandesas, e há 125 anos no Brasil.

Ban defende que não devem ser apagados da memória a tortura, as violações sexuais e os inocentes assassinados. O pronunciamento destaca a separação de famílias, “vidas que foram arrancadas e as horríveis condições nos navios negreiros, plantações e em mercados de escravos.”

Tempo

Para o Secretário-Geral, os tipos de degradação não podem ser enterrados pelo tempo e devem “ser examinados, compreendidos e tratados.”

O representante da ONU defende que a coragem das vítimas deve inspirar “a luta contra as formas contemporâneas de escravidão como o racismo, a discriminação racial, a xenofobia e a intolerância relacionada.”

 

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