Custos anuais da corrupção podem alimentar 80 vezes os famintos, diz ONU

13 março 2013

Alta comissária dos Direitos Humanos diz que fluxos financeiros ilícitos envolveram US$ 8,44 biliões em nações em desenvolvimento; representante fala de impacto no cumprimento de medidas de austeridade pelos pobres.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O dinheiro desviado anualmente através de atos de corrupção é suficiente para alimentar 80 vezes a pessoas que passam fome no mundo, referiu a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos.

Falando esta quarta-feira, em Genebra, Navi Pillay, disse que US$ 8,44 biliões foram envolvidos em fluxos financeiros ilícitos nos países em desenvolvimento entre 2000 a 2009. O valor é cerca de 10 vezes maior do que a ajuda externa recebida pelo grupo de nações.

Fome

No pronunciamento, feito num Painel de Alto Nível sobre a Corrupção, a representante sublinhou ainda que cerca de 870 milhões de pessoas dormem diariamente com fome. A maioria é composta por crianças, cujos direitos à alimentação e à vida são negados devido ao fenómeno.

Pillay identificou o suborno e o roubo como fatores que provocam o aumento dos custos totais de projetos de fornecimento de água potável e saneamento em até 40% a nível global.

Educação

De acordo com a alta comissária, o dinheiro desviado dos cofres públicos poderia ser investido para atender às necessidades de desenvolvimento, tirar as pessoas da pobreza e proporcionar educação às crianças.

Navi Pillay, disse que não haver dúvidas de que a corrupção é um enorme obstáculo para a realização de todo o desenvolvimento humano e de direitos civis, políticos, económicos, sociais e culturais.

Cargos Públicos

Os princípios fundamentais dos direitos humanos de transparência, da prestação de contas, da não-discriminação e da participação significativa em todos os aspetos da vida comunitária consideram-se violados pela corrupção.

O fenómeno foi apontado como um problema global e não restrito a países, regiões, sociedades ou tradições. Além de cargos públicos, Pillay referiu-se à presença da corrupção em áreas incluindo as empresas e o desporto.

Austeuridade

Para períodos de austeridade, devido às crises económica e financeira, Pillay apelou para a gestão transparente e responsável de fundos públicos. Ela também pediu que não haja expectativas de absorção das medidas de austeridade pelos pobres e marginalizados.

Pillay terminou o pronunciamento recomendando que seja dada uma resposta multifacetada à corrupção devido ao impacto sobre o desenvolvimento e os direitos humanos.

 

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