Custos anuais da corrupção podem alimentar 80 vezes os famintos, diz ONU

Custos anuais da corrupção podem alimentar 80 vezes os famintos, diz ONU

Alta comissária dos Direitos Humanos diz que fluxos financeiros ilícitos envolveram US$ 8,44 biliões em nações em desenvolvimento; representante fala de impacto no cumprimento de medidas de austeridade pelos pobres.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O dinheiro desviado anualmente através de atos de corrupção é suficiente para alimentar 80 vezes a pessoas que passam fome no mundo, referiu a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos.

Falando esta quarta-feira, em Genebra, Navi Pillay, disse que US$ 8,44 biliões foram envolvidos em fluxos financeiros ilícitos nos países em desenvolvimento entre 2000 a 2009. O valor é cerca de 10 vezes maior do que a ajuda externa recebida pelo grupo de nações.

Fome

No pronunciamento, feito num Painel de Alto Nível sobre a Corrupção, a representante sublinhou ainda que cerca de 870 milhões de pessoas dormem diariamente com fome. A maioria é composta por crianças, cujos direitos à alimentação e à vida são negados devido ao fenómeno.

Pillay identificou o suborno e o roubo como fatores que provocam o aumento dos custos totais de projetos de fornecimento de água potável e saneamento em até 40% a nível global.

Educação

De acordo com a alta comissária, o dinheiro desviado dos cofres públicos poderia ser investido para atender às necessidades de desenvolvimento, tirar as pessoas da pobreza e proporcionar educação às crianças.

Navi Pillay, disse que não haver dúvidas de que a corrupção é um enorme obstáculo para a realização de todo o desenvolvimento humano e de direitos civis, políticos, económicos, sociais e culturais.

Cargos Públicos

Os princípios fundamentais dos direitos humanos de transparência, da prestação de contas, da não-discriminação e da participação significativa em todos os aspetos da vida comunitária consideram-se violados pela corrupção.

O fenómeno foi apontado como um problema global e não restrito a países, regiões, sociedades ou tradições. Além de cargos públicos, Pillay referiu-se à presença da corrupção em áreas incluindo as empresas e o desporto.

Austeuridade

Para períodos de austeridade, devido às crises económica e financeira, Pillay apelou para a gestão transparente e responsável de fundos públicos. Ela também pediu que não haja expectativas de absorção das medidas de austeridade pelos pobres e marginalizados.

Pillay terminou o pronunciamento recomendando que seja dada uma resposta multifacetada à corrupção devido ao impacto sobre o desenvolvimento e os direitos humanos.