Mulheres da ONU abordam transformações e desafios rumo à igualdade

8 março 2013

Funcionárias da organização são de várias nacionalidades e operam em países como Angola, Bélgica, Moçambique e Senegal; campos identificados para promover equilíbrio de género incluem educação, conhecimento e recursos.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

No âmbito do Dia Internacional das Mulher, celebrado neste 8 de Março, funcionárias  das Nações Unidas falaram sobre ganhos e o há ainda por fazer para garantir uma maior autonomia da mulher e a igualdade no mundo.

Elas são exemplos como profissionais, chefes de família e partilham a crença na missão de servir o mundo.

Esforço Múltiplo

A representante para a Coordenação da Educação em África da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, Unesco, disse haver a necessidade de compensar às mulheres pelo seu esforço múltiplo em várias áreas.

Falando de Dacar, Zulmira Rodrigues, de Angola,  disse que, apesar de progressos na educação há ainda muito a fazer para reconhecer o que estas fazem de simultâneo na sociedade.

“O maior ganho que conseguimos na última década foi que, realmente, todos os países estão a pôr a educação da rapariga num lugar proeminente.  Não significa que isso seja viabilizado na prática. Muitas vezes, há uma distância grande entre a política e a realidade.  Entretanto, ao regressarem ao mercado de trabalho, após dedicação à família, as mulheres não são compensadas pelo esforço que fizeram”, considerou.

Responsabilidade

De Bruxelas, a Oficial de Informação do Escritório do Centro de Informação da ONU em Genebra, Unric, fala de responsabilidade das próprias mulheres para mudar a situação de desvantagem.

A portuguesa Julia Alhinho quer maior consciência do poder adormecido da própria mulher com vista a confrontar desafios atuais, apesar de alguma evolução.

Mensagem

“Tentar acabar com o flagelo da violência contra a mulher e em termos de igualdade de salário. Em países desenvolvidos, como aqui na Europa, as mulheres continuam a receber menos por um trabalho igual. No fundo, é uma questão de educação das pessoas. Precisamos que fique claro para as pessoas que as mulheres são seres humanos iguais aos outros. Nesse aspeto, penso que as mulheres têm uma grande responsabilidade e  um grande poder nas suas mãos. Na maior parte dos países s às mulheres que são responsáveis pela educação dos filhos,  seria importante que se, desde cedo, transmitirem essa mensagem que as mulheres são iguais aos homens”, defendeu.

A responsável de Género, Equidade e Trabalho Rural da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, Eve Crowley, trabalhou vários anos na Guiné-Bissau. Nascida na Tanzânia, e após a sua experiência no país, a representante disse, em Nova Iorque, acreditar que uma maior aposta na inclusão seja a chave para difundir o conhecimento que as mulheres deteem.

“Vivendo na Guiné-Bissau deparei com pessoas, provavelmente, sem educação formal, carteira de identidade ou teto de zinco mas inteligentes, com muitos  conhecimentos, habilidades e tecnologias essenciais para o desenvolvimento. Muitas vezes não são reconhecidas. A valorização do que estas sabem e o facto de se transmitir a mensagem das pessoas sem voz, como as mulheres para o mundo inteiro e buscarpolíticas participativas e modos para beneficiar a todos daria benefícios ao desenvolvimento”, disse.

Para possibilitar avanços no processo de busca de igualdade, a representante da ONU Mulheres em Moçambique, a brasileira Valéria de Campos Mello, disse, em Nova Iorque, que recursos são importantes para avançar com várias iniciativas.

Desafio

“Podemos ter planos e estratégias mas temos que assegurar que os recursos sejam identificados no terreno para implementação desses planos. Esse, realmente, é um desafio que temos e devemos continuar todos”, explicou.

 

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