Alerta para obrigação de proteger albinos na Tanzânia

5 março 2013

Alta comissária da ONU para os Direitos Humanos diz que perseguição está associada a casos de bruxaria ; três crianças entre vítimas de ataques ocorridos nos últimos 16 dias.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, disse que o governo tanzaniano tem a obrigação de proteger a comunidade albina do país, após ataques ocorridos nas últimas semanas.

Em 16 dias, ocorreram quatro novos ataques contra albinos, três dos quais envolvendo crianças.

Impunidade

Num comunicado lançado, esta terça-feira, em Genebra, Pillay  sugeriu o combate contra a impunidade  e campanhas para acabar com o estigma sobre a doença.

Especialistas referem que o albinismo é causado por diferentes alterações dos genes que levam à ausência de melanina, que dá cor à pele e protege das radiações ultravioletas.

Causas

Pillay disse estar “horrorizada” com o aumento de ataques às vítimas e afirmou que as autoridades devem conter os ataques e combater as causas da discriminação dos albinos.

Navi Pillay sublinhou que os ataques no país são “cometidos de forma horrenda e levam ao desmembramento das vítimas incluindo crianças quando elas ainda estão vivas.”

Assassínios

A 31 de Janeiro, um menino de 7 anos foi brutalmente assassinado no vilarejo de Kanunge, na região de Tabora. Os assassinos cortaram partes do seu corpo. O avô do menino, de 95 anos, também foi morto quanto tentava proteger o neto.

Um atentado semelhante ocorreu duas semanas depois e envolveu um rapaz de 10 anos, albino, que voltava da escola na região de Rukwa. A vítima também teve o braço esquerdo decepado.

Mutilação

Já um bebé albino de sete meses conseguiu escapar de homens armados, quando os moradores do local cercaram a casa para o proteger.

A perseguição aos albinos na Tanzânia inclui ainda adultos. O país julga cinco homens que atacaram uma mulher albina de 39 anos, durante a madrugada de 11 de Fevereiro. A polícia conseguiu prender os suspeitos e recuperar o braço esquerdo da vítima, que havia sido cortado.

Justiça

De acordo com o Alto Comissariado da ONU, o assassinato e mutilação de pessoas com albinismo na Tanzânia é geralmente ligado a casos de bruxaria.

Alguns praticantes acreditam que “a bruxaria tem mais poder quando as vítimas gritam durante a amputação, o que explica as mutilações com as pessoas em vida.”

Pobreza

A ONU defende serem raros os casos que acabam na Justiça. De 72 assassinatos de pessoas com albinismo no país africano, desde 2000, apenas cinco casos foram levados até à condenação.

As famílias que têm albinos geralmente negligenciam a educação das crianças devido às perseguições na escola. Muitos albinos acabam por deixar a escola e são levados a uma vida de pobreza.

Para Navi Pillay, o problema é ainda um caso de saúde, uma vez que marginalizados, os albinos não poderão obter os cuidados que precisam ter para se tratar.

*Apresentacão: Eleutério Guevane.

 

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