Estudo da ONU destaca apreensões de cocaína em regiões africanas

5 março 2013

Documento menciona contornos de transações ilícitas em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau; lançado alerta para abuso de medicamentos e farmacêuticos como tranquilizantes e estimulantes.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

Um relatório das Nações Unidas aponta para 14 grandes apreensões de cocaína na África Ocidental. Quase metade da droga estava escondida em contentores, transportados pelo mar, provenientes do Brasil.

O estudo da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes, Jife, em 2012, aponta que parte da cocaína é traficada da região Ocidental para a África Austral de forma direta ou através de Angola e da Namíbia.

Guiné-Bissau

O documento revela receios da interrupção da implementação de programas de combate ao narcotráfico na Guiné-Bissau e no Mali, na sequência de golpes de Estado ocorridos nos dois países no início do ano passado.

A Jife também ressalta o que chamou de abuso de medicamentos e farmacêuticos como tranquilizantes e estimulantes. Na Europa, uma nova substância é descoberta semanalmente. A compra é facilmente realizada pela internet, e o número de sites que vendem psicoativos mais que quadruplicou em dois anos na União Europeia.

Vendas

Em entrevista à Rádio ONU, da Costa Rica, o especialista da Agência Mundial Antidoping, Wada, no Brasil, Eduardo de Rose, destacou a necessidade de controlo de vendas pela internet por parte de corporações policiais e Ministérios de Saúde.

“O risco é de saúde pública. Deve haver um controle pelo Estado da venda desse tipo de substância para a população. A venda pela internet é de área internacional, ilegal. Como pessoa física ou instituições de Direito não-governamental é muito difícil fazer o controlo desse tipo de venda, que às vezes também entra numa área de drogas sociais proibidas”, disse.

De acordo com a Jife, os países precisam de uma ação coordenada para impedir a produção, uso, e tráfico dessas substâncias.

África

O relatório das Nações Unidas, divulgado nesta terça-feira, na capital austríaca, Viena, faz menção à apreensão de 12 carregamentos de cocaína no

Foto: Unodc

Aeroporto Internacional de Maputo, em Moçambique.

A droga também é frequentemente intercetada em rotas que envolvem a Etiópia, o Quénia, o Uganda e a Tanzânia.

Drogas Legais

O estudo aponta  “uma verdadeira ameaça à saúdes públicas chamadas” devido a “drogas legais” ou “designer drugs”.

De acordo com o mundo sofre com a proliferação de substância psicoativas, que tem levado a um aumento do número de ocorrências em emergências hospitalares e outros centros de tratamento.

Europa

De acordo com o relatório, em alguns países pesquisados, mais de 6% de alunos do segundo grau já tomaram tranquilizantes. Para a Jife é preciso agir preparando pessoal da área médica e informando a população sobre os perigos deste tipo de droga.

E os riscos são variados como doenças como HIV, hepatite B e C no caso de uso de drogas injetáveis.

O chefe da Jife, Raymond Yans, disse tratar-se de  um problema global, e que deve ser combatido de forma partilhada pela comunidade internacional.Segundo ele, é hora de agir em todos os níveis incluindo o comunitário para reduzir o sofrimento de todos.

Brasil

Plantação de coca. Foto: Unodc

Ao abordar a situação das drogas por regiões, o estudo da Jife lembra que na América do Sul, o consumo de cocaína, por exemplo, manteve-se estável com uma média de consumo por adultos de 0,7%. Já no Brasil, esta média é mais do que o dobro, atingindo 2%.

No México, por exemplo, mais de 60 mil pessoas foram assassinadas desde 2006 devido ao tráfico de drogas.

A América do Norte continua a ser o maior mercado de drogas ilícitas no mundo. Uma em cada 20 mortes de pessoas entre 15 e 64 anos na América do Norte tem a ver com o abuso de drogas.

*Apresentação: Eleutério Guevane.

 

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