Agências pedem que “não se baixe a guarda”, um ano após crise no Sahel

20 fevereiro 2013

Comunidade internacional investiu US$ 1,2 milhão para apoiar 10 milhões de pessoas em oito países; PMA defende que 9 milhões de pessoas vão precisar de assistência alimentar na região africana.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Apesar da resposta internacional em grande escala, cerca de 1,5 milhões de crianças menores de cinco anos estão em risco de desnutrição grave na região africana do Sahel, refere o programa Mundial da Alimentação, PMA.

Nesta quarta-feira, líderes de várias agências humanitárias, representantes de governos de países doadores e os principais afetados reuniram, em Roma, para analisar a eficácia da assistência um ano após o anúncio da crise humanitária.

Carentes

O PMA sublinhou que US$ 1,2 milhão foram aplicados para apoiar 10 milhões de pessoas em oito países. Considera-se que o contributo evitou uma catástrofe humanitária no Sahel.

Falando à Rádio ONU, de Roma, a chefe do Setor de Emergência da Organização da ONU para a Agricultura e Alimentação, FAO, Cristina Amaral, disse que não se deve baixar a guarda.

Desenvolvimento

“Não se pode parar por aqui. Não é o caso para nos rejubilarmos. A batalha não está ganha, há muito por fazer, sobretudo no campo de uma ajuda concertada ao desenvolvimento para se restabelecer as condições de produção e de vida”, disse.

De acordo com o PMA, milhões de pessoas na região ainda são afetadas pela seca. A diretora-geral da agência, Ertharin Cousin, estima que cerca de 9 milhões de pessoas em todo o Sahel ainda vão precisar de assistência alimentar do PMA.

Educação

As atividades a serem implementadas pela agência da ONU incluem assistência alimentar de emergência, desenvolvimento rural e atividades de educação nutricional.

Para a representante, o “aumento da segurança alimentar e a resiliência estão no centro dos esforços coletivos da agência, para mudar o padrão de secas recorrentes e continuar no caminho em direção a um futuro melhor”.

Pobreza

Apesar de otimismo com as perspetivas de colheita, é apontado um alto risco de choques futuros, devido ao aumento das taxas de pobreza e desnutrição.

Outros fatores incluem condições meteorológicas extremas, a degradação ambiental, baixo investimento na agricultura, os preços altos e vulnerabilidade à volatilidade do mercado.

Comunidades

As Nações Unidas referem que o conflito no Mali também provocou deslocamento generalizado de meio milhão de pessoas na região, o que causou pressão às comunidades que ainda se recuperam da seca.

Em Roma, o enviado especial do Secretário-Geral da ONU para o Sahel, Romano Prodi, disse que está a ser elaborada uma estratégia centrada especialmente nas comunidades marginalizadas.

 

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