Quénia destacado por reduzir casos de mutilação genital feminina

6 fevereiro 2013

Relatório aponta para uma queda da prática até ao triplo; mais de metade das meninas de 15 a 19 anos sofreram a prática em África e no Médio Oriente.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova Iorque.*     

Agências das Nações Unidas ressaltaram o exemplo do Quénia, na redução dos casos de mutilação genital feminina até ao triplo em dez anos.

Um estudo lançado no âmbito do Dia Internacional de Tolerância Zero da Mutilação Genital Feminina, assinalado este 6 de Fevereiro, destaca ainda a mudança de atitudes em países onde a prática é comum como o Egito. Cerca de 90% das mulheres sofreram o tipo de violência no país do norte de África.

Adaptação

O documento foi publicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, e o Fundo das Nações Unidas para a População, Fnuap.

Em entrevista à Rádio ONU, de Lisboa, a embaixadora da Boa Vontade do Fnuap, Catarina Furtado,  abordou a necessidade de adaptação de práticas culturais similares à questão dos direitos individuais.

Questão Cultural

“Uma das coisas que eu acho que é fundamental é não nos agarrarmos a desculpa de que a mutilação genital feminina, como outras práticas nefastas, atentórias aos direitos humanos das meninas e das mulheres em todo o mundo, são uma questão cultural. Eu acho que essa é uma coisa que devemos afastar porque se há indícios de que é possível erradicar a mutilação genital feminina, quer dizer então, que é possível adaptar essas práticas culturais a aquilo que hoje em dia é a luta pelos direitos humanos”, apontou.

Progressos

Em nota, o diretor executivo do Unicef, Anthony Lake, afirmou que os progressos demonstram que é possível acabar com a mutilação genital feminina.

Já o diretor executivo do Unfpa, Babatunde Osotimehin, afirmou que a chave para quebrar o ciclo de discriminação e violência é empoderar mulheres e meninas.

Comunidades

Segundo as agências da ONU, nos últimos 4 anos, 10 mil comunidades em 15 países abandonaram a prática. O número representa 8 milhões de pessoas. No ano passado, quase duas mil comunidades na África declararam publicamente o compromisso de eliminar a mutilação genital feminina.

O estudo revela que em 29 países em África e no Médio Oriente, onde a prática da mutilação está mais concentrada, mais de metade das meninas de 15 a 19 anos sofreram a violência.  As mulheres entre 45 e 49 anos que passaram pelo procedimento chegaram aos 53%.

*Apresentação: Eleutério Guevane.

 

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