Unesco revela intenção de ajudar a reconstruir património cultural do Mali

31 janeiro 2013

Diretora da agência, Irina Bokova, anunciou o envio de uma missão ao país assim que houver segurança; a representante descreveu sítios como parte vital da identidade do povo maliano.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

A diretora-geral da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, anunciou que fará todo o possível para proteger e reconstruir o “património cultural extraordinário” do Mali.

Irina Bokova descreveu o património como “parte vital da identidade e história do país, sendo fundamental para o seu futuro”. Bokova acredita que a restauração e reconstrução dos sítios irá fornecer ao povo maliano a força e a confiança necessárias para reconstruir a unidade nacional.

Esforços

A chefe da agência da ONU lembrou que a recente escalada intencional da destruição do património do Mali torna a ação mais do que necessária. Ela garantiu que a Unesco “não irá medir esforços para reconstruir os mausoléus de Timbuktu e as tumbas de Askia em Gao”.

A agência também deve mobilizar especialistas e recursos para ajudar a preservar antigos manuscritos considerados um “testemunho do passado glorioso da região”, que foi um grande centro para o aprendizado sobre o Islamismo.

Missão

A Unesco anunciou o envio de uma missão, assim que as condições de segurança o permitirem, para fazer uma avaliação completa da destruição e determinar as necessidades mais urgentes. O objetivo é finalizar um plano de ação, em cooperação com o Governo do Mali, para reconstrução e reabilitação.

As três principais mesquitas de Timbuktu e 16 mausoléus foram inscritos na lista do Património Mundial da Unesco em 1988. Em Julho do ano passado, 11 mausoléus foram destruídos, assim como os portões de Sidi Yahi.

Manuscritos

Foto: Unesco

Irina Bokova lembra que em tempos de tumulto, os riscos de tráfico ilegal de objetos culturais são altos. Ela renovou o apelo feito aos países vizinhos ao Mali, Interpol e a Organização das Alfândegas Mundiais para manter a vigilância em relação à saída de qualquer artefacto cultural do país. Bokova ressaltou que “são tesouros extremamente valiosos e vulneráveis.”

Aproximadamente 300 mil manuscritos estão em coleções públicas ou privadas na cidade de Timbuktu. Muitos são dos séculos 13 ou 16 e foram produzidos por grandes estudiosos do Norte da África, Al-Andalus e países árabes.

Bokova também anunciou que a Unesco irá trabalhar com os setores público e privado, para garantir a preservação eficaz desse património e quando for possível, digitalizar esses documentos.

*Apresentação: Eleutério Guevane.

 

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