Confrontos no Mali fazem mais de 30 mil desalojados em três dias

15 janeiro 2013

Nações Unidas referem que nove em cada 10 deslocados são mulheres e crianças; agências noticiosas falam de envio de tropas africanas, nos próximos dias, para apoiar intervenção francesa contra rebeldes islâmicos.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A ONU anunciou um aumento de mais de 30 mil deslocados desde o início da intervenção militar francesa no Mali, na passada sexta-feira, dia 11.

Numa conferência de imprensa, realizada esta terça-feira, em Genebra, foi revelado que cerca de 228 mil pessoas fugiram para os países vizinhos. A situação está a pressionar as nações vizinhas incluindo o Níger, a Mauritânia e o Burkina Faso.

Degradação

De acordo com o porta-voz do Alto Comissariado para Refugiados, Acnur, a subida do número de deslocados internos agrava ainda mais as condições de saneamento básico.

Falando a jornalistas, Adrian Edwards relatou que 90% dos  deslocados são mulheres e crianças com dificuldades de moradia, saúde e segurança alimentar.

Tropas

Agências noticiosas dizem que nos próximos dias, tropas africanas devem seguir para o Mali com vista a ajudar os ataques franceses contra rebeldes islâmicos.

De acordo com as informações das agências, cerca de 900 soldados nigerianos devem juntar-se aos mais de 700 franceses presentes no país da África Ocidental.

Insegurança

Estima-se que 4,2 milhões malianos carecem de ajuda humanitária. O número inclui cerca de 2 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar e centenas de milhares de crianças desnutridas.

O Acnur anunciou a continuação do apoio aos desalojados nos países  vizinhos com o Níger, que alberga 65 mil, a Mauritânia e o Burkina Faso.

Abusos

Já o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, alertou para o alto risco de separação de crianças das suas famílias. A agência defende que o facto torna-as mais vulneráveis ao abuso sexual,  violência e ao seu recrutamento como soldados.

Nesta segunda-feira, o Secretário-Geral da ONU saudou, em nota, a resposta de parceiros bilaterais ao pedido de ajuda do Governo do Mali para combater o avanço de rebeldes para o sul.

Golpe

O norte é controlado pelos rebeldes Tuaregue,  após confrontos com o governo iniciados há um ano. Em março, o país sofreu um golpe militar.

Ainda em sua nota, Ban Ki-moon frisou que vários grupos armados estão associados a grupos terroristas.

Para o chefe da ONU, a ofensiva dos rebeldes deve ser contida, enquanto continuam os esforços para restabelecer a ordem constitucional e a integridade territorial do Mali.

 

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