Retrospectiva 2012: Capítulo 1

18 dezembro 2012

No primeiro capítulo da série, a Rádio ONU relembra os principais fatos ocorridos entre os meses de janeiro e março. 

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

2012 começou com o segundo mandato de Ban Ki-moon como Secretário-Geral das Nações Unidas. Em janeiro, ele apresentou o plano de trabalho para mais cinco anos à frente da ONU.

Em Nova York, Ban disse que uma das metas até o fim de 2016 seria eliminar cinco doenças, incluindo malária e tétano. O desenvolvimento sustentável, a prevenção de conflitos e a promoção dos direitos das mulheres também foram destacados como metas para o segundo mandato do Secretário-Geral.

Itália

Do outro lado do Atlântico, ocorria uma outra posse no sistema ONU, em Roma, na Itália. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, recebia um brasileiro como diretor-geral: José Graziano da Silva.

“Colocar a FAO a serviço dos países que querem não apenas atingir a Meta do Milênio para 2015, de reduzir o número de pessoas subnutridas à metade, mas apontas para a completa erradicação da fome.”

Graziano da Silva, um dos fundadores do programa Fome Zero, ressaltou ainda a importância de investir na cooperação entre países do hemisfério sul.

José Graziano da Silva

África

Mas 2012 também começou com uma notícia triste para a Guiné-Bissau, o país de língua portuguesa na África Ocidental: a morte do então presidente Malam Bacai Sanhá, com apenas pouco mais de dois anos no cargo. A perda foi lamentada pelo embaixador da Guiné-Bissau na ONU, João Soares da Gama.

“Primeiro, um sentimento de choque grande, pois quando tudo indicava sua iminente recuperação, eis o que aconteceu, inesperadamente. O presidente Malam Bacai Sanhá tem dado grandíssima parte da sua vida ao serviço do país e tem sido um percursor dos ideiais de luta e libertação nacional.”

Já na Somália, o retorno de uma certa estabilidade no país africano levou a ONU a reabrir o seu escritório na capital, Mogadíscio, depois de 17 anos funcionando no país vizinho Quênia.

No sudeste da África, a força do clima e de tempestadas tropicais deixaram pelo menos 40 mortos em Moçambique e mais de 110 mil pessoas foram afetadas. Várias agências da ONU enviaram ajuda de emergência ao país lusófono, incluindo a distribuição de comida e kits de higiene para evitar um surto de cólera.

Crise no Sahel

Ban Ki-moon em Angola

Um outro país de língua portuguesa, Angola, recebeu no começo do ano a visita do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, que lançou no país a campanha nacional de vacinação contra a pólio.

O Mali sofria um golpe militar, o que levou ao deslocamento de milhares de pessoas, agravando a situação de pobreza no Sahel. Em Roma, as Nações Unidas fizeram uma reunião de emergência sobre a fome naquela região da África, como explicou o diretor da FAO, José Graziano da Silva.

“O novo no contexto é que há uma escalada de conflito armado nos vários países da região e a fome pode contribuir para aumentar ainda mais isso.”

Síria

Um ano depois do início da Primavera Árabe, os conflitos entre tropas do governo e opositores estavam cada vez mais intensos na Síria. Ban Ki-moon fez um apelo ao presidente Bashar Al-Assad, pedindo que “parasse de matar seu próprio povo.” No Conselho de Segurança, foi colocada em votação uma resolução condenando a violência na Síria.

A embaixadora americana na ONU, Susan Rice, explicou que o texto não continha nenhum tipo de sanção. Apesar disso, a resolução não foi aprovada, já que a Rússia e a China vetaram o documento.

Para tentar resolver a situação, que já havia matado milhares de pessoas e deixava outras tantas refugiadas, a ONU e a Liga Árabe apontaram o prêmio Nobel da Paz, Kofi Annan, como enviado especial para a Síria. 

Plano de Seis Pontos

Em um esforço pelo fim da violência, o ex-Secretário-Geral viajou até Damasco, onde teve encontros com o presidente Assad.

Sírios sofreram com a violência ao longo do ano

Segundo Annan, o primeiro objetivo era parar com o fim da violência e os abusos dos direitos humanos. Ele criou então um plano de seis pontos, exigindo um cessar-fogo. Apesar de o documento ter sido aceito pelo governo sírio, o acordo não chegou a ser cumprido.

Timor-Leste

Na Ásia, a Corte Especial para o Camboja, que tem o apoio das Nações Unidas, condenou Kaing Guek Eav, conhecido como Duch, à prisão pérpetua. Ele foi um dos líderes do regime do Khmer Vermelho, responsável pela morte de milhares de pessoas no fim da década de 70 no Camboja.

Ainda no sudeste do continente asiático, a população do Timor-Leste se preparava para as eleições legislativas e presidenciais. Enquanto isso, a Missão da ONU no país, Unmit, continuava prestando assistência à polícia local, como explicou o comandante de polícia da Unmit, Luís Carrilho.

“Legislação, administração, disciplina, formação e operações. São estas as áreas que neste momento, estamos a apoiar a Polícia Nacional do Timor-Leste.”

Dia do Rádio 

A Unesco comemorava, pela primeira vez, o Dia Mundial do Rádio, em 13 de fevereiro. A data foi escolhida em homenagem à criação da Rádio ONU, em 1946. Foram relembradas várias personalidades que já passaram pelo microfone da emissora, com sede em Nova York, como a atriz Audrey Hepburn.

A preocupação das Nações Unidas com os efeitos das mudanças climáticas levou a organização a nomear uma jovem angolana para Embaixadora das Terras Áridas e Combate à Desertificação. Em março, a Miss Universo Leila Lopes veio a Nova York receber oficialmente o título.

Leila Lopes na sede da ONU

“Para mim, terras secas ou em degradação são terras que não tinham solução. E agora, graças a este título, eu tenho aprendido mais sobre desertificação e já consigo explicar melhor às pessoas que tem solução. É possível sim cultivarmos as terras que estão a tornar-se desertificadas.”

Haiti 

A prevenção em casos de desastres naturais foi apontada como prioridade pelo novo general da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti. O brasileiro Fernando Goulart tomou posse como chefe da Minustah no fim de março.

“Eu vou observar, com muita atenção, essa atuação exemplar do componente militar, para continuar mantendo estabilidade. Estaremos sempre também preparados para agir no caso de algum desastre natural atingir o Haiti. Nós temos também essa importante função.”

Down

Na sede das Nações Unidas, foi comemorado em 21 de março o Primeiro Dia Mundial da Síndrome de Down. Dezenas de jovens com a síndrome e ativistas do Brasil viajaram até Nova York para celebrar a data e pedir mais apoio às pessoas com deficiência, como a jovem Carol.

“Nossa, aqui, é a primeira vez que vim a Nova York. Isto aqui é um sonho, estar aqui na ONU. A pessoa com a síndrome de down elas mesma tem que se respeitar, aceitar, ter um respeito."

Mas com ano apenas começando, o segundo trimeste de 2012 traria ainda mais notícias para o mundo lusófono, como o golpe de Estado na Guiné-Bissau e a chegada de um guineense para comandar a Comissão Econômica das Nações Unidas para a África. Mais detalhes você confere no segundo capítulo.

Carol, pela primeira vez em Nova York

Apresentação, Produção e Reportagem: Leda Letra.

Edição: Mônica Villela Grayley.

Assistência de Produção: Denise Costa.

Técnica: Zach Prewitt. 

Ouça Também:

Retrospectiva: Capítulo 2

Retrospectiva: Capítulo 3

 

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