OMS alerta para efeitos de queda de financiamento global para prevenir a malária

17 dezembro 2012

O Programa Global de Malária da OMS pede mais progressos para atingir a  meta de reduzir o fardo da doença; São Tomé e Príncipe reduz incidência de casos em mais de 75%  numa década.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Um novo relatório global aponta a estabilização do financiamento internacional para a prevenir e controlar a malária nos últimos dois anos.

O Relatório Mundial da Malária 2012, lançado esta segunda-feira, em Genebra, indica ainda um abrandamento de avanços na distribuição de produtos para salvar vidas da doença durante o período.

Ganhos

A Organização Mundial da Saúde alerta que os sinais de desaceleração ameaçam reverter os ganhos recentes na luta contra uma das maia fatais doenças infecciosas.

Em entrevista à Rádio ONU, de Genebra, a médica da OMS, Regina Ungerer aponta as consequências da erosão dos financiamento para países lusófonos. 

Investimento Progressivo

“Em quatro dos países, em que há uma incidência de malária nas nações de língua portuguesa, todos eles tiveram uma diminuição grande. No entanto, a queda do financiamento internacional na malária fez com que os progressos, particularmente em São Tomé e Príncipe, que tinham sido excelentes começassem a diminuir. Em 2008, não houve um caso de redes distribuídas nem pulverização o que ditou a diminuição de progressos alcançados entre 2001 e 2011. Em 2012 começamos a ver as consequências dessa falta de investimento progressivo  na área”, disse.

São Tomé e Príncipe é destacado por ter reduzido as taxas de incidência de casos de malária em mais de 75% entre 2000 e 2011. Durante o período, o número de casos confirmados da doença caiu 87%, enquanto os internamentos tiveram uma queda de 84%.

A associação mais forte entre as intervenções e seu impacto na morbidade e mortalidade por paludismo ocorrem no país.

Estabilidade

Angola é realçada no documento por registar uma ligeira diminuição tanto dos casos como das mortes nos últimos cinco anos. O fenómeno contraria a tendência de estabilidade ou aumento, ocorrida na maioria dos países africanos.

Já o Brasil, aparece entre os 23 países onde ocorreram falhas de tratamento devido à cloroquina, que ainda é usada em vários hospitais locais. Entretanto, a previsão é que os casos da malária causados pelo mosquito da malária devem caiam entre metade e três quartos até 2015.

Impacto são-tomense

Cabo Verde está em fase de pre-eliminação, desde 2010. O país teve um total de 36 casos confirmados em 2011,  com metade adquirida localmente. No total, quatro pessoas morreram, no que realça a necessidade de manter o teste de diagnóstico precoce e o tratamento hospitalar enquanto o país avança para a fase de eliminação.

Ao lado de São Tomé e Príncipe, Moçambique figura entre os 13 países, onde mais de metade da população foi protegida por medidas de controle do mosquito que transmite a malária.

Fronteiras

Apesar de a transmissão da malária ter sido interrompida na maior parte do país, o fenómeno ainda ocorre em regiões fronteiriças moçambicanas.

O Programa Global de Malária da OMS adverte que a meta de reduzir o fardo da malária não será alcançada a menos que o progresso seja acelerado nos países onde a doença tem maior incidência.

 

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