Reportagem: Adolescência em Risco BR

Reportagem: Adolescência em Risco

Estudo mostra que mais de 45% dos jovens brasileiros morrem assassinados; Índice de Homicídios na Adolescência revela que meninos negros são as maiores vítimas.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.*

Estudo feito em 283 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes mostrou que os homicídios são responsáveis pela morte de 45,2% dos adolescentes de 12 a 18 anos.

O Índice de Homicídios na Adolescência, IHA, revelou também que os negros representam a maioria dos jovens assassinados. Quem explica é Helena Oliveira, especialista em proteção da criança e do adolescente do Fundo da ONU para a Infância, Unicef.

“A maior vítima, segundo nossos estudos realizados agora e lançados neste momento, são os adolescentes. Os dados nos mostram, que na verdade, para cada 100 mortes de adolescentes, 45% são causadas por homicídio, no contexto de uma sociedade onde o índice é de 5%.  O perfil dos assassinados é de um jovem negro, morador de favela, adolescente, moradores de periferia e de espaços mais populares da cidade e vítimas de preconceito racial e social.”

Dados

O estudo prevê que se a tendência atual continuar, até 2016, 36 mil adolescentes serão vítimas de homicídios. Número que equivale a população das cidades de Jundiaí, em São Paulo, ou de Pelotas, no Rio Grande do Sul.

Entre os adolescentes de 12 a 18 anos, os meninos têm 11,5 vezes mais chance de morrerem assassinados do que as meninas. As armas de fogo representam risco 5,6 vezes maior para os adolescentes do que qualquer outro meio.

Combate

O diretor da ONG Observatório de Favelas, Jorge Barbosa, falou exatamente sobre a importância do desarmamento.

“O desarmamento e o controle de armas. Não podemos ter uma uma circulação de armas na sociedade brasileira, que como estamos vendo afeta de maneira substancial a letalidade de jovens. Ou seja, arma de fogo deve ser absolutamente controlada pelo Estado, esse é seu papel, e monitorada pela sociedade civil, porque esse é o principal meio de assassinato de jovens. Então, nós temos que ser responsáveis por isso e assumir o controle e o desarmamento como uma das políticas públicas que podem reduzir a letalidade.”

Nordeste

O IHA mostrou que o nordeste registrou os piores resultados, com Itabuna, na Bahia, liderando o ranking de homicídios.O índice da cidade é de 10,59 mortes para cada mil adolescentes. Em segundo ficou Maceió, em Alagoas, com 10,15.

Mas a especialista da Unesco, Helena Oliveira, disse que houve avanços.

“O Unicef tem trabalhado dentro de um programa conjunto das Nações Unidas em três municípios no país, exatamente trabalhando com metodologias desenvolvidas pelo PVRL, com metodologias de prevenção aos homicídios em nível municipal. E a experiência que nós estamos tendo em Contagem, em Vitória e em Lauro de Freitas, tem demonstrado a possibilidade de a gente reverter esse quadro através dessas metodologias.”

Mortes

O chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Proteção dos Direitos da Criança e do Adolescente, George Lima, falou sobre as políticas do governo para reverter o número de mortes.

“É uma meta ao contrário. É uma estimativa de 36 mil adolescentes que poderão morrer e não conseguir chegar ao final da sua adolescência. O governo vê isso como uma meta ao contrário. Precisa executar ações para garantir o direito à vida desses 36 mil adolescentes e dessas 36 mil adolescentes.

O estudo sobre o Índice de Homicídios na Adolescência, IHA, foi assinado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, SDH, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, pelo Observatório de Favelas e pelo Laboratório de Análise da Violência, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

*Com reportagem de Damaris Giuliana, do Unic-Rio, Rio de Janeiro.