Mundo está perto do controle da epidemia da Aids, mas longe da vacina
BR

30 novembro 2012

Diretor da Unaids afirma que ainda não se pode falar na cura da doença; Coordenador da Fiocruz acha que comunicação é essencial no combate à Aids já que uma vacina pode levar até 10 anos .

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

No Dia Mundial de Combate à Aids, o diretor do Programa Conjunto sobre HIV/Aids, Unaids, Luiz Loures, disse à Rádio ONU que não se pode falar ainda em uma cura da doença mas sim, no fim da epidemia.

Loures afirmou que o Dia foi criado em 1988 e, desde então, foram registrados vários avanços.

Fase final

Mas o diretor do Unaids disse que neste ano pode se comemorar o que ele acredita ser a entrada na fase final para o controle da epidemia.

“Eu acho que o que nós temos hoje é um tratamento efetivo que praticamente elimina o vírus mas a pessoa tem de continuar recebendo esse tratamento. Em teoria não podemos falar em cura, mas podemos concretamente falar no fim da epidemia. O que significa a redução da transmissão do vírus a níveis controláveis? Isso concretamente nós podemos falar hoje. Mais uma vez, é uma combinação de progresso científico com mobilização social.”

Tratamento

Loures declarou que o último relatório do Unaids mostrou que, em pelo menos 25 países, existe hoje uma redução de mais de 50% nos casos de novas infecções com HIV.

O diretor disse também que houve melhora no tratamento. Atualmente há 8 milhões de pessoas sendo tratadas, 1 milhão mais dos que esperam tratamento.

Segundo Loures, o Dia Mundial de Combate à Aids é também um momento de reflexão sobre o que mais deve ser feito.

Discriminação

Para ele, só o progresso científico não levará ao controle. Loures afirma ser necessário intensificar a luta contra a discriminação, que será a batalha final, na sua opinião.

Principalmente na questão dos direitos humanos, na questão contra a discriminação das pessoas que têm o vírus. Em relação à viagem, em relação ao local de trabalho, em relação à escola

Para Loures, a combinação entre o progresso científico e a mobilização das sociedades leva hoje a dizer que sim é possível ir ao fim da Aids.

Vacina

O coordenador da Área Internacional e de Saúde da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, Paulo Buss, falou, em entrevista à Rádio ONU, sobre a fabricação de uma vacina para combater a Aids.

“Temos vários estudos, alguns com Institutos dos Estados Unidos e com o Instituto Pasteur. E a vacina é uma questão de tempo. Eu acredito que nos próximos 10 anos nós poderemos ter uma vacina. Também já sabemos que a medicação bem feita, ou quanto mais precocemente feito diagnóstico em alguém é outra maneira de atacar a expansão da epidemia.”

Buss disse que graças à política do SUS do governo federal a epidemia da Aids não explodiu no Brasil.

 Casos

Segundo o médico, todas as projeções, no início da epidemia, davam o Brasil como hoje tendo entre 1,5 milhão e 2 milhões de casos.

Buss disse que o Brasil tem, na verdade, ao redor de 500 mil casos diagnosticados e tratados.

Comunicação

Mas o coordenador Internacional da Fiocruz falou sobre um terceiro desafio nessa luta, o da comunicação.

A vacina, segundo ele, pode ser que venha em 8, 10 ou 12 anos, mas a informação tem de ser desde hoje.

Acordo

Buss disse ainda que a Fiocruz firmou um acordo com o laboratório farmacêutico internacional Bristol-Myers Squibb, para produzir o Atazanavir, um remédio no coquetel antiaids.

Ele afirmou que o processo vai baratear os custos porque o medicamento vai ser produzido no Brasil. Buss disse ainda que tudo foi feito através de negociação sem a necessidade de quebrar a patente do produto.