Investimento estrangeiro direto no Brasil tem declínio de 9%
BR

23 outubro 2012

No primeiro semestre, país recebeu R$ 58 bilhões a menos, se comparado ao mesmo período do ano passado; segundo Unctad, incertezas freiam projetos das multinacionais.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

 Os investimentos estrangeiros diretos globais foram 8% menores no primeiro semestre deste ano, alcançando a marca da US$ 668 bilhões, mais de R$ 1,3 trilhão, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Os dados foram apresentados, nesta terça-feira, pela Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad. O Brasil acompanhou a tendência global, recebendo R$ 58 bilhões ou quase 9% a menos dos investimentos externos.

Razões

De Genebra, o economista da Unctad, Rolf Traeger, explicou à Rádio ONU as causas para o declínio mundial.

“Foram as incertezas quanto à economia mundial, especialmente a economia da América do Norte. Por isso, as multinacionais estão evitando fazer grandes investimentos internacionais. E outro motivo são as incertezas quanto ao marco regulatório nos países receptores de investimento estrangeiro. No caso do Brasil, é um pouco diferente. Houve uma redução, mas comparada com a tendência mundial, pode-se dizer que o nível do investimento direto estrangeiro no Brasil continua elevado.”

Segundo Rolf Traeger, os investimentos externos no Brasil dobraram nos últimos dois anos, por isso a redução no primeiro semestre deste ano deve ser analisada de forma diferente.

Europa

Já em alguns países da zona do euro, como França e Portugal, houve aumento de mais de 250%, como explica o economista da Unctad.

“É justamente a própria crise financeira que leva os investidores estrangeiros a aumentarem os investimentos deles nessas economias em crise. No caso de Portugal, houve um grande investimento por parte da China, em empresas que estavam em crise. Houve também um grande afluxo de capitais para recapitalizar os bancos, que justamente é o setor de atividade econômica mais afetado pela crise internacional.”

A Unctad prevê, a longo prazo, aumento moderado dos investimentos estrangeiros, mas destaca que o risco de choques macroeconômicos em 2013 pode causar impacto negativo nos fluxos.

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