Julgamento aos quatro acusados pelo TPI no Quénia arranca em abril

23 outubro 2012

Nova procuradora do Tribunal Penal Internacional, Fatou Bensouda, de visita ao país, garante “um julgamento justo” aos réus e “igual oportunidade para refutarem as alegações”.

Manuel Matola, da Rádio ONU em Maputo.

O julgamento dos quatro quenianos indiciados por crimes contra a Humanidade pelo Tribunal Penal Internacional deverá arrancar em abril do próximo ano. A garantia é da nova procuradora do TPI, Fatou Bensouda, que está em visita oficial àquele país africano.

Os quatro reus são acusados de coautoria indireta nos crimes que se seguiram às eleições presidenciais no Quénia, em 2007.

Oportunidade 

Em declarações aos jornalistas, na capital queniana, Nairobi, Fatou Bensouda assegurou que o TPI está, todos os dias, a trabalhar arduamente para que os arguidos tenham “um julgamento justo e igual oportunidade de refutar as alegações”.

Na lista dos incriminados está o vice-primeiro-ministro queniano, Uhuru Kenyatta, também ministro das Finanças.

Kenyatta, filho do primeiro presidente do Quénia, é acusado de ser “coautor indireto” dos crimes de assassínio, transferência forçada de população, violação, perseguição e de outros atos desumanos.  Ele nega todas as acusações.

Outro indiciado pelo TPI é William Ruto, acusado de se ter envolvido nos confrontos étnicos que causaram mais de um milhão de mortes.

Na altura, cerca de 600 mil pessoas refugiaram-se nos países vizinhos.

A nova procuradora do TPI disse que nem o governo, nem o povo do Quénia, nem as comunidades étnicas estão em julgamento aos olhos do Tribunal de Haia.

Fatou Bensouda garantiu que o julgamento dos quatro quenianos visa à busca da verdade.

Ela disse que ao realizar o processo, o TPI pretende trazer justiça ao país, podendo fornecer algum consolo aos sobreviventes, restaurar a dignidade às vidas despedaçadas e à memória daqueles que foram mortos no conflito pós-eleitoral no Quénia.

 

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