Brasil anuncia parceria de US$ 20 milhões com a FAO para setor de algodão
BR

17 outubro 2012

Iniciativa irá transferir know-how brasileiro para apoiar agricultores em países em desenvolvimento; projeto integra ações da Cooperação Sul-Sul.

Rafael Belincanta, de Roma para a Rádio ONU.*

O Brasil e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, anunciaram um novo acordo de cooperação.

A parceria, no valor de US$ 20 milhões ou R$ 40 milhões, deverá transferir a expertise brasileira na produção de algodão para outros países em desenvolvimento.

Mato Grosso e Bahia

A assinatura do acordo ocorre nesta quarta-feira, na sede da FAO, em Roma, na Itália.

Segundo o Governo Brasileiro, em 12 anos, o Brasil passou de maior importador de algodão para o terceiro maior produtor mundial da matéria-prima. Os campeões da produção são os estados do Mato Grosso e da Bahia. Dados oficiais sugerem que a produtividade do setor algodoeiro do Brasil é 60% maior que a dos Estados Unidos.

O diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, explicou como o projeto, que integra ações da Cooperação Sul-Sul, irá funcionar na prática.

Horizonte

“É um cooperação trilateral no marco da cooperação Sul-Sul. Eu gostaria de destacar a importância do algodão nessa região: são agricultores de subsistência. A possibilidade de entrarmos com um produto comercial vai permitir que eles entrem no mercado, gerem renda. É isso que queremos fazer com todos os agricultores familiares latino-americanos e da África. Este projeto abre um horizonte de cooperação e um modelo que poderá ser repetido em muitos países”.

Batizado de  “Fortalecimento do Setor Algodoeiro por meio da Cooperação Sul-Sul”, o projeto irá beneficiar o grupo do chamado Cotton-4, que é formado por Chade, Mali, Burkina Fasso e Benin.

Por meio do aporte de US$ 10 milhões, serão fornecidos recursos humanos, tecnologias e experiências relevantes para o desenvolvimento do setor algodoeiro de países em desenvolvimento. A execução do Projeto ficará a cargo do Escritório Regional da FAO em Santiago do Chile. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse esperar que o projeto seja reproduzido em outras áreas.

Serviço

“É um acordo que assinamos com o presidente do Instituto Brasileiro do Algodão, com o Governo Brasileiro, com o diretor-geral da FAO e que coloca recursos que foram disponibilizados ao Brasil por intermédio de uma disputa levada à Organização Mundial do Comércio sobre subsídios conferidos pelos Estados Unidos à produção de algodão. É um projeto inovador porque além de se basear em projetos de cooperação já existentes, recolhe esses recursos e os canaliza numa cooperação de um país em desenvolvimento, nesse caso hoje aqui um das Américas, com a cooperação de uma agência multilateral especializada que coloca a serviço dessa cooperação a sua expertise. Acho que é uma ideia nova, interessante, que beneficiará um numero grande de potencial agricultores em nossa região do mundo e, quem sabe, um projeto que possa ser replicado para um número crescente de países”.

Os custos da iniciativa, que tem duração inicial de quatro anos, estão sendo repartidos pela metade.

Apoio Técnico

O projeto começa no Hati e nos países do Mercosul com uma extensão posterior a outras nações da América Latina e da África.

A iniciativa será gerida pelo Escritório Regional da FAO para América Latina e Caribe, no Chile, que irá contribuir com US$ 200 mil, além de fornecer apoio técnico e contatos.

O cultivo do algodão é considerado fundamental para economias africanas, especialmente no oeste e centro do continente, onde cerca de 10 milhões de pequenos agricultores dependem do comércio com o produto para sobreviver.

*Com reportagem da Rádio Vaticano.

 

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