PMA diz que 1,4 milhão de sírios dependem agora de ajuda alimentar
BR

16 outubro 2012

Em áreas atingidas pelos combates entre tropas do governo e opositores, o preço da comida quase dobrou; alimentos básicos como o pão estão em escassez por causa da falta de combustível para máquinas industriais.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, informou que o conflito na Síria colocou 1,4 milhão de pessoas numa situação de dependência alimentar.  Segundo a agência, alimentos básicos como o pão estão em falta porque as padarias não têm combustível para funcionar.

Nas áreas afetadas pelos combates, o preço da comida quase que dobrou.  O PMA está levando alimentos aos sírios com a ajuda da oganização Crescente Vermelho que está distribuindo cestas básicas mensais em 14 governadorias sírias.

Consequências

Mas a situação de pessoas presas em cidades como Homs, Alepo e Daraa, além de Damasco está preocupando as agências de ajuda humanitária.

Nesta entrevista à Rádio ONU, o presidente da Comissão de Inquérito sobre a Síria, Paulo Sérgio Pinheiro, disse que o país está sofrendo com as consequências do que ele chamou de uma guerra civil.

“A guerra civil, além dos próprios combates com suas vítimas e feridos, torna legal tudo o que é violação dos direitos humanos fora da guerra. Em termos de detenções arbitrárias, em termos de tortura, violência sexual, o panorama é bastante preocupante a Síria depois de 19 meses que já dura o conflito.”

Para Paulo Sérgio Pinheiro, os dois lados do conflito precisam chegar a um cessar-fogo imediato e acabar assim com as mortes e a destruição no país árabe.

Crimes de Guerra

“O problema sério é que os dois lados recebem apoio de diferentes Estados-membros. E por um lado, a oposição não quer ceder porque acha que pode ter uma vitória, o que eu acho totalmente ilusório, e pelo lado do governo também, o governo defende a sua existência. Mas enquanto não houver um cessar-fogo, os crimes de guerra vão continuar.”

De acordo com o PMA quando a operação de emergência começou em outubro passado, a agência estava atendendo 250 mil pessoas, em junho esse número dobrou, e um ano depois, a quantidade de pessoas carentes chega a 1,4 milhão de sírios.

Equipes do PMA estão usando um sistema de vales com os sírios que fugiram para os países vizinhos como Iraque, Jordânia, Líbano e Turquia.  Somente na Turquia, o número de sírios cadastrados com a agência já ultrapassa 100 mil.  A maioria deles vem de Alepo, uma das cidades mais afetadas pelos combates.

O PMA lançou um programa eletrônico de cartão para levar comida a cerca de 25 mil sírios que estão sob proteção nacional na Turquia. A iniciativa está sendo realizada em parceria com a organização Crescente Vermelho do país.

 

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