Lusófonos abrem e fecham debates na Assembleia Geral

3 outubro 2012

No arranque do ciclo de debates, presidente do Brasil, Dilma Rousseff, pediu aumento da liderança feminina global; intenção de ter o idioma como língua oficial da organização foi expressa no discurso de Portugal na ONU.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

As Nações Unidas encerraram os debates da Assembleia Geral a celebrar o que chamam “progressos substanciais alcançados no evento.”

Em portugês, a presidente brasileira, Dilma Rousseff, pediu o aumento da liderança feminina a nível global. O pronunciamento, feito a 25 de Setembro, marcou o tradicional arranque dos debates, com o Brasil.

O evento estendeu-se  por uma semana, com a participação de mais de 100 chefes de Estado e de governo. Dezenas de ministros dos Negócios Estrangeiros também representaram os seus países no debate de temas como a cooperação,  as finanças, a saúde, o ambiente e o desenvolvimento.

Presidente Dilma Roussef discursou na Assembleia-Geral.

Conflitos

Mas a questão central para este ano foi o “Ajustamento ou Resolução de Disputas ou de Situações de Conflito por Meios Pacíficos.” O presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, ressaltou a experiência do seu país na matéria, como fruto da essência do  seu povo.

O impasse entre os israelitas e palestinianos e a crise na Síria marcariam a maioria dos encontros mantidos na ONU. O primriro-ministro de São Tomé e príncipe, Patrice Trovoada, pediu uma intervenção mais forte da organização nos conflitos.

O Estado de Direito também foi colocado em debate numa reunião de alto nível.

Xanana Gusmão

Timor-Leste fez ouvir a sua voz na tribuna da Assembleia Geral, através do primeiro-ministro Xanana Gusmão. No seu pronunciamento, foi anunciada uma nova fase de cooperação com as Nações Unidas, nas vésperas da retirada da missão da ONU do país do sudeste asiático, a ocorrer até Dezembro deste ano.

Patrice Trovoada

De acordo com as Nações Unidas, o Secretário-Geral acompanhou mais de 150 reuniões e participou de 50 eventos na semana dos debates.

Diplomacia

Falando à imprensa o Secretário-Geral adjunto, Jan Eliasson, defendeu que, uma vez mais, foi provado “o caráter central do órgão na diplomacia mundial.” Para o representante, foram estabelecidas normas globais para aproveitar o poder das parcerias para o desenvolvimento.

De forma unânime, foi reafirmada a necessidade da reforma do organização e do Conselho de Segurança. O ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, Oldemiro Balói, considerou que a medida ajudaria a resolver tensões em África.

A semana foi marcada pela intervenção de dezenas de organizações regionais, grupos da sociedade civil, empresários, filantropos, embaixadores da Boa Vontade, mensageiros de Paz e outros.

Oldemiro Balói e Ban Ki-moon

A série de encontros realizados à margem do debate geral, também abordou questões como a saúde materna e infantil, a nutrição, o terrorismo, a pólio e as armas nucleares.

Escola

A nova iniciativa “Educação em Primeiro Lugar” foi lançada no decurso do evento, com o objetivo de manter 61 milhões crianças na escola. Por outro lado, doadores anunciaram o redobrar de esforços para erradicar a poliomielite no Afeganistão, na Nigéria e no Paquistão, países onde a doença é endémica

Ficam igualmente marcadas as  discussões sobre o estabelecimento de metas de desenvolvimento sustentável e de uma agenda de desenvolvimento pós-2015.

José Filipe Moraes Cabral

Guiné-Bissau

Nos países de língua portuguesa, a situação na Guiné-Bissau foi o tema que marcou várias reuniões nas Nações Unidas. Angola fez refletir o seu posicionamento, como membro Comunidade dos Países de língua Portuguesa, Cplp, através do seu embaixador junto das ONU, Ismael Martins.

Mas, no plenário, a intenção de ter o português como língua oficial da organização foi expressa durante o discurso de Portugal, o último dos Estados-membros a usar o pódio durante a semana de debates.

Veículo para Cultura

O embaixador José Filipe Moraes Cabral ressaltou o caráter do idioma como veículo para cultura, comércio e cooperação globais.

A 67ª. Sessão da Assembleia prossegue até Dezembro, com delegados dos 193 Estados-membros da ONU a abordar questões relativas ao desarmamento e à segurança internacional, a economia e as questões sociais.

Os debates devem envolver, igualmente, aspetos ligados à administração orçamental e jurídica da organização, além de questões humanitárias, culturais e matérias ligadas à descolonização.

 

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