Cabo Verde quer promover o português em meio ao bilinguismo
BR

28 setembro 2012

Para presidente do país, Jorge Carlos da Fonseca, a língua materna, o crioulo, deve ser afirmada ao lado do idioma de Camões; segundo o chefe de Estado, as duas línguas são patrimônios da nação do oeste africano.

 Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

Cabo Verde, um dos cinco países lusófonos da África, está ajudando a promover a língua portuguesa em meio a um sistema “real de bilinguismo.” A afirmação é do presidente do país, Jorge Carlos da Fonseca.

Nesta entrevista à Rádio ONU, ele disse que Cabo Verde apoia a iniciativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, de tentar aumentar a presença do português no mundo, ao mesmo tempo em que promove também a língua cabo-verdiana, o crioulo, no país do oeste africano.

Dois Amores

“A própria Constituição de Cabo Verde institui que o Estado deve criar as condições para que a língua cabo-verdiana se afirme, aparte da língua portuguesa, como língua oficial. Eu, sem ser um especialista em linguística, creio que podemos evoluir para um país de real bilinguismo. Temos que trabalhar para fazer elevar o estatuto da língua crioula, materna, mas ao mesmo tempo favorecer, potenciar o estudo e a divulgação da língua portuguesa. São duas línguas nossas, que nos são muito queridas, são dois patrimônios que nós temos e portanto são dois amores.”

Além de Cabo Verde, o português é a língua oficial de mais quatro países na África: Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Todos têm línguas nacionais além do idioma oficial herdado de Portugal.

Diáspora

De acordo com dados oficiais, a maior parte dos cabo-verdianos vive no exterior. Nesta entrevista à Rádio ONU, o presidente Jorge Carlos da Fonseca falou sobre a presença do português nas diásporas, que ele mesmo visitou durante sua viagem a Nova York.

“Nós somos um país deste ponto linguístico particular. E as nossas comunidades sobretudo no estrangeiro partilham estas duas línguas também dentro da comunidade. E eu quero dizer que os contatos com as comunidades aqui são feitos em crioulo. Nós assumimos a língua portuguesa como uma patrimônio também nosso. É a língua oficial.”

O presidente de Cabo Verde está em Nova York para participar dos debates da Assembleia Geral. Ele discursou nesta quinta-feira na ONU, pela primeira vez, desde que foi eleito. Logo depois, assumiram a tribuna a Autoridade Nacional Palestina e a Eslovênia. A sessão matinal foi encerrada com um discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

 

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