Contributo e desafios para envelhecimento ativo em Moçambique

21 setembro 2012

O tema é inspirado na Conferência promovida pela Comissão Económica da ONU para a Europa. O casal de cofundadores da Associação de Aposentados do país destaca como apreciar a moderação pode ser  determinante para a qualidade de vida.

Manuel Matola, da Rádio ONU em Maputo

O casal Fernandes partilha a caminhada na luta pelos direitos e deveres das pessoas idosas em Moçambique. Conde e Isaura abordam como apreciar a moderação para que se desfrute a qualidade de vida na terceira idade.

Durante duas décadas, ambos dirigiram a Associação dos Aposentados de Moçambique, de que foram cofundadores em 1991.

Fórum da 3ª Idade

Em declarações à Rádio ONU, de Maputo, o coordenador do Fórum da 3ª Idade, Conde Fernandes, de 79 anos, abordou o envelhecimento ativo. O tema marcou  uma conferência promovida pela Comissão Económica da ONU para a Europa na capital austríaca, Viena.

“Qualquer jovem pode preparar-se para ter um envelhecimento ativo. Eu recomendaria algumas coisas: uma como a moderação nos seus atos, moderação também no seu comportamento, evitar excessos”, explicou.

Alimentação Saudável

Fernandes destaca também a importância de uma alimentação saudável para a promoção da qualidade de vida da população idosa.

“Sei que é difícil, a vida, muitas vezes, não nos ajuda, mas procurar moderar o seu comportamento. Isso é que pode levar a uma longevidade. Também é preciso, de vez em quando, fazer exames médicos, exercícios físicos e procurar não dormir muito tarde”, sublinhou.

Percepções

A primeira Embaixadora de Boa Vontade para a 3ª Idade em Moçambique é a sua esposa, Isaura Fernandes. Nas suas declarações, lembra as percepções que devem ser desencorajadas sobre a condição de idoso.

“O envelhecimento nunca pode ser definido como uma doença. É resultado do desenvolvimento e, como tal, isso significa que a pessoa ao possuir 60 ou mais de 65 anos, obtendo a sua reforma, não deve ficar parada, porque até é prejudicial para a própria pessoa, prejuízo físico e mental”, defendeu.

Aposta

A criação de uma lei de promoção e defesa de idosos em Moçambique é a maior aposta do casal, e Isaura conta as suas expetativas.

“Temos participado também nos debates para promover os direitos e deveres da pessoa idosa. Agora, por exemplo, estou a dar o meu contributo ao Fórum para ver se esses direitos sejam encaminhados para o Parlamento e o este o aprove. Com aprovação já sai como uma lei e saindo como uma lei é um instrumento que nos vai ajudar mais e as pessoas vão respeitar a terceira idade, porque sabem que se não respeitar irão ser penalizadas”, disse.

Diploma

Num país onde existe 1,8 milhão de idosos, com oito em cada 10 a viver com menos de U$1 por dia, Conde Fernandes avança as vantagens da aprovação de um diploma  sobre o envelhecimento ativo.

“Esta lei pode contribuir muito se ela for conforme nós pensamos e propusemos. Por exemplo, na área da saúde estamos a pedir que as pessoas idosas devem ser poupadas de ficar nas filas comuns, com jovens e outras pessoas. Por outro lado, queremos que haja um pouco de respeito por estas pessoas. Eles contribuíram muito para este país”, concluíu.

 

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