Guterres diz que só Conselho de Segurança pode resolver crise na Síria
BR

31 agosto 2012

Em declaração à Rádio ONU, após sessão extraordinária no órgão, alto comissário para refugiados pediu que comunidade internacional apoie países vizinhos que estão recebendo sírios que fogem da violência.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

A violência na Síria não será resolvida pela ajuda humanitária, mas sim por decisões políticas. Esta é a opinião do alto comissário das Nações Unidas para Refugiados, António Guterres.

Nesta quinta-feira, ele participou de uma reunião extraordinária no Conselho de Segurança, em Nova York, para explicar a situação dos sírios que estão fugindo para os países vizinhos: Iraque, Jordânia, Líbano e Turquia. Ao todo, 229 mil pessoas já atravessaram as fronteiras.

Humildade

Nesta entrevista à Rádio ONU, após a reunião, o alto comissário e ex-primeiro-ministro de Portugal, António Guterres, afirmou que a solução para a crise tem que ser criada pelo Conselho de Segurança.

“E ao mesmo tempo há que reconhecer, com humildade, que nós, humanitários, não resolvemos o problema. Nós mitigamos o problema.

O problema só tem uma solução que é política. E esta solução só o Conselho de Segurança pode criar as condições para que ela se concretize.”

Desde o início dos combates entre tropas do governo e opositores do presidente da Síria, Bashar al-Assad, mais de 17 mil pessoas morreram na violência política no país árabe.

França

Em entrevista a jornalistas, antes da reunião no Conselho de Segurança, um representante da França informou que o número de mortos já ultrapassaria 25 mil.

De acordo com o comissário da ONU, António Guterres, o apelo humanitário para socorrer as vítimas ainda não foi preenchido pela comunidade internacional.

“Nós necessitamos de mais fundos. Infelizmente, os apelos das Nações Unidas estão respondidos a menos de 50%  quer dentro da Síria, quer nos países vizinhos. É preciso também mais solidariedade internacional com o Iraque, a Turquia, a Jordânia e o Líbano que têm circunstâncias muito difíceis, com um enorme nas economias, nas sociedades, na própria segurança desses países. Mas eles têm mantido as fronteiras abertas, têm recebido toda a gente, têm dado a todos proteção e assistência. É preciso que este esforço seja partilhado pela comunidade internacional.”

As Nações Unidas e a Liga Árabe terão, a partir, deste sábado, um novo representante especial na Síria. Lakhdar Brahimi irá substituir o ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, no cargo.

Annan, que estava liderando uma estratégia de paz para o conflito, renunciou no início deste mês.

 

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