Países lusófonos e o direito de constituir família das pessoas que vivem com HIV

21 agosto 2012

Em entrevista à Rádio ONU, diretora do Onusida pede capacitação de profissionais de saúde para que mulheres não sejam forçadas a tomar medidas que violem seus direitos.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Programa Conjunto da ONU sobre Hiv/Sida, Onusida, sugere que trabalhadores da saúde dos países de língua portuguesa sejam formados com vista a garantir o direito de constituir família das pessoas que vivem com o vírus.

A declaração segue-se a uma decisão judicial condenando as autoridades de saúde da Namíbia pela esterilização de três mulheres que vivem com o vírus, que alegaram não ter recebido qualquer informação sobre o procedimento.

Direitos

Falando de Genebra, a diretora do  Departamento de Direitos Humanos, Género e Mobilização Comunitária do Onusida, Mariângela Simão, abordou a necessidade de preservação de direitos.

“Que as mulheres, ou qualquer pessoa, sejam forçados a tomar decisões ou que estas sejam retiradas delas à forço como o caso de uma esterilização. Que isso não aconteça e o respeito do direito das mulheres e das pessoas em geral seja preservado”, referiu.

Menos Mortes

Um apelo foi lançado para os países de língua portuguesa para um momento em que se verificam menos mortes e maior cobertura de tratamanto.

“A nossa Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, como eu estou colocando, tem aumentado as coberturas de tratamento e isso faz com que as pessoas vivam por muitos anos. A gente quer que elas vivam por muito tempo e vivam melhor. Uma parte de viver melhor está no desejo natural de constituir família, por exemplo. Que isso seja considerado quando se organizam as ações, quando se preparam os profissionais de saúde e se discute o atendimento das pessoas vivendo com o vírus, para que esse aspeto não deixe de ser coberto”, explicou.

Para Mariângela Simão, é preciso que haja um estreitamento de relações entre o Brasil e o seu considerado “robusto sistema público de saúde” e a experiência de intercâmbio de países lusófonos em África com maiores resultados.

A especialista destacou ainda a realização de um congresso em Moçambique,  no próximo ano, que também deve discutir a preservação dos direitos e a autonomia da mulher que vive com o HIV.

 

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