10 Respostas sobre a Alta no Preço dos Alimentos
BR

10 agosto 2012

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.*

A seca recente nos Estados Unidos e seu impacto no preço do milho chamou a atenção do mundo para o preço global dos alimentos. Os últimos dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, mostram uma subida nos preços após um período de queda. Essa mudança causa um impacto no orçamento dos mais pobres e nos custos da ajuda alimentar.

As causas e os efeitos do valor da comida são diversificados. Confira as 10 explicações a perguntas-chave sobre o tema, respondidas pelo Programa Mundial de Alimentos, PMA.

1       - Quão alto realmente está o preço dos alimentos?

Após três meses em declínio, o índice global do preço dos alimentos produzido pela FAO subiu 6% em julho, chegando a 213 pontos. Mas ainda está abaixo do pico histórico de 238 pontos, alcançado em fevereiro de 2011.

2       – Qual foi a causa desse aumento repentino em julho?

Foi o efeito de uma onda nos preços dos grãos e do açúcar. De acordo com a FAO, com a recente seca em plantações de milho nos Estados Unidos, são esperadas colheitas no país mais baixas do que o previsto. Isso puxou o preço do milho para uma alta de 23% em julho.

3       – Seria esse o começo de uma nova tendência de alta?

Ainda é cedo para dizer. No momento, o preço do arroz está estável e isso é um fator importante. Mas no geral, há muitos sinais de que o aumento no preço da comida e a volatilidade vão continuar nos próximos anos, fazendo com que agricultores, consumidores e países fiquem mais vulneráveis à pobreza e à insegurança alimentar.

Ajuda alimentar do PMA

4 – Por quê a volatilidade deverá continuar?

Uma razão é que especialistas esperam que temperaturas extremas sejam mais frequentes nos próximos anos e isso terá um impacto nas colheitas. Outro motivo é que haverá aumento da demanda por parte dos consumidores de economias em crescimento. O aumento na produção de biocombustíveis também é outro fator. E há também o simples fato do crescimento populacional no planeta.

5– Que tipo de países são mais vulneráveis ao aumento do preço dos alimentos?

Essa alta é um problema para países pobres, que precisam importar muita comida para alimentar suas populações. Nações também ficarão vulneráveis caso elas já enfrentem alta inflação, tenham baixas reservas de moeda estrangeira e se a moeda local está desvalorizada em relação ao dólar.

6 – Como as pessoas de nações pobres lidam com isso?

Em alguns países onde o PMA trabalha, há famílias que gastam entre 60% e 80% do seu orçamento com comida. Nessas situações, elas são afetadas duramente com o aumento dos preços. Muitas famílias cortam o número de refeições diárias, compram comida mais barata e menos nutritiva e optam por gastar menos com educação e medicamentos.

Agricultor no Brasil. Foto: Banco Mundial

7 – Essa alta não seria boa para os agricultores?

O aumento poderia representar uma oportunidade para pessoas que ganham a vida com a agricultura. O problema é que muitos não produzem alimentos suficientes nem para o consumo próprio, muito menos para vender. Muitos não tem acesso aos mercados nem a recursos para melhorar sua produção, como fertilizantes.

8 – Como a subida de preços afeta o Programa Mundial de Alimentos?

De duas maneiras: custa mais para a agência comprar comida para os que passam fome e aumenta o número de pessoas que precisam de assistência alimentar. Se o preço continuar subindo, o PMA poderá enfrentar uma lacuna no orçamento. Caso isso aconteça, a agência será forçada a tomar difíceis decisões, como em 2008 – reduzir porções de comida, diminuir o total de beneficiários ou buscar recursos adicionais.

9 – Quanta comida é comprada pelo PMA?

Em 2011, o PMA comprou US$1,2 bilhão em commodities (mercadorias) alimentares. Desse total, US$ 870 milhões vieram de países em desenvolvimento. O PMA tenta comprar alimentos com antecedência, enquanto os preços do mercado estão relativamente baixos. A razão é minimizar o impacto no orçamento da agência. Mas cada 10% de alta no preço da cesta alimentar do PMA, custa para o programa um adicional de US$ 200 milhões por ano para comprar a mesma quantidade de comida.

10 – Como garantir um abastecimento estável de comida para as populações mais vulneráveis?

Entrega de leite em escola. Foto: PMA

Há várias medidas que podem ser tomadas pelos países. Uma ação chave é desenvolver reservas alimentares de emergência. Outra é expandir redes de segurança social, como programas para a nutrição de mães e filhos e programas de merenda escolar. É também crucial o apoio aos pequenos agricultores e o reforço de compromissos que isentem a ajuda humanitária das proibições de exportação de alimentos.

*Fonte: Programa Mundial de Alimentos, PMA. 

 

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