Angola: Acnur quer aulas de português para milhares de repatriados

29 junho 2012

Agência indica que vários retornados deixaram de falar o idioma devido a período no exterior; fim do estatuto de refugiado, a 30 de Junho, é aplicado aos que deixaram do país durante as guerras pela independência e civil.

É preciso garantir que refugiados angolanos vindos do exterior possam aprender português, afirmou esta sexta-feira a chefe do Repatriamento da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, no país Margarida Fawke.

A representante falava à Rádio ONU, da província do Huambo, onde recebia um dos últimos grupos de retornados da Zâmbia, no âmbito do fim do estatuto de refugiado atribuído aos angolanos, neste sábado.

Aulas

“Muitos repatriados, pelo longo tempo que estiveram fora, não falam português. Muitos já nasceram no exterior. Nas aulas de português, vamos ver como apoiamos essa parte que é essencial para a integração. Por exemplo, para se conseguir um trabalho no governo é necessário falar portugês, mesmo em qualquer empresa necessário falar a língua”, explicou.

Margarida Fawke considerou prioritário buscar parcerias para que as aulas do idioma  pudessem ajudar os beneficiários nos desafios de integração. Mais de 23 mil angolanos foram repatriados dos países vizinhos.

Contactos

“O Acnur já tinha apoiado um programa nesse sentido, em repatriamentos anteriores, e já existem contactos estabelecidos. Tínhamos sido apoiados, inclusivamente, pelo Banco Espírito Santo, que é um banco português. Vamos ver se continua interessado e vamos ver outros possíveis doadores. Chegaram recentemente a Angola três funcionários a Angola que vão se dedicar com as autoridades a avaliar todos esses aspectos relacionados à reintegração dos repatriados”, contou

De acordo com a agência, o fim do estatuto de refugiado é aplicado aos que fugiram do país durante a guerra pela independência, entre 1965 e 75, e  a guerra civil que se seguiu, terminada em 2002.

Retorno

No ano passado, o Acnur e o Governo de Angola lançaram um programa de retorno organizado de  angolanos nos países vizinhos.

O programa teve um impulso nas últimas semanas com o retorno de milhares de angolanos da República Democrática do Congo, Namíbia, Zâmbia, Botsuana e República do Congo. Mais 26 mil angolanos, que ainda estão estão no exterior, também manifestaram vontade de regressar ao país.

 

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