Cabo Verde quer regresso à ordem anterior ao golpe militar na Guiné-Bissau

22 junho 2012

Em entrevista exclusiva à Rádio ONU, o presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos da Fonseca pediu “intervenção forte” do Conselho de Segurança das Nações Unidas e de organizações regionais.

[caption id="attachment_218694" align="alignleft" width="299" caption="Fonseca quer "intervenção forte" da comunidade internacional."]

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O presidente de Cabo Verde, José Carlos Fonseca disse, esta sexta-feira,  que o seu país quer o retorno à ordem constitucional anterior ao golpe militar de 12 de Abril, na Guiné-Bissau.

O líder cabo-verdiano falava em exclusivo para a Rádio ONU, no Rio de Janeiro,  à margem da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, Rio+20.

Ordem

“Para nós, de uma forma e uma perspetiva realista, nenhuma solução duradoira e estável na Guiné-Bissau passa pela situação que hoje vigora no país. Porque a situação que vigora atualmente no terreno foge, completamente, ao princípio essencial de que se deve voltar à ordem constitucional que foi posta em causa pelo movimento militar, pelo golpe de Estado”, referiu.

A 22 de Maio, os oficiais que levaram a cabo o golpe militar na Guiné-Bissau cederam o poder a um governo civil de transição, após a assinatura de um acordo político e de um pacto de transição. Ambos, foram mediados pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, Cedeao, de que Cabo Verde é membro.

Proposta

O presidente avança uma proposta para o que considera desfecho “duradoiro, estável e que resulte no estabelecimento da democracia e do Estado de Direito” na Guiné-Bissau.

“Isso tudo passa por uma intervenção forte da comunidade internacional, nomeadamente a nível do Conselho de Segurança das Nações Unidas e que envolve outras instâncias - a Cplp, a União Africana e a Cedeao. Mas também passa por uma reforma profunda das forcas armadas na Guiné-Bissau. Porque enquanto na Guiné-Bissau os militares interferirem continuamente na vida política e não respeitarem os poderes legitimados pelo voto popular, não há estabilidade, não há democracia e não há Estado de Direito possíveis”, salientou.

Dossier Complexo

A situação guineense é considera um dossier político complexo por José Carlos da Fonseca. O estadista pediu uma solução que corresponda aos interesses dos populares.

O presidente cabo-verdiano manifestou-se esperançoso de que haja uma evolução na crise, referindo que a Guiné-Bissau será abordada, em breve,  pelos chefes de Estado e de Governo do bloco regional da África Ocidental.

 

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