Unicef considera “grave e alarmante” o trabalho infantil em Moçambique

12 junho 2012

Agência estima que mais de 1 milhão de crianças moçambicanas, dos sete aos 17 anos, são submetidas ao trabalho infantil, cuja causa principal é a pobreza.

[caption id="attachment_217726" align="alignleft" width="350" caption="Dia Mundial contra o Trabalho Infantil"]

Manuel Matola, da Rádio ONU em Maputo.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, considerou “grave e alarmante” o envolvimento de menores com trabalho em Moçambique. A declaração foi feita, terça-feira, na passagem do Dia Mundial contra o Trabalho Infantil.

A agência referiu que milhares de famílias moçambicanas, sobretudo das zonas rurais, admitem que as crianças entrem no mercado laboral para ajudar a compor a renda.

Situação

Em declarações à Rádio ONU, de Maputo, a especialista de Proteção da Criança no Unicef em Moçambique, Mariana Muzzi, descreveu a atual situação da infância no país.

“O trabalhão infantil em Moçambique tem magnitude muito grande. É um tema grave e alarmante. Os dados nacionais do Instituto Nacional de Estatísticas mostram que mais de 1 milhão de crianças estão a trabalhar. O trabalho de crianças em Moçambique é rural, agrícola, para ajudar na renda familiar. A causa principal do trabalho infantil em Moçambique é a pobreza”.

Agricultura

O Unicef divulgou uma síntese dos vários relatórios que descrevem o trabalho infantil em Moçambique, sobretudo na agricultura, onde se estima que 82% dos menores estão empregues. Muzzi fala do impacto no dia-a-dia dos menores envolvidos.

“Algumas das consequências do trabalho infantil, principalmente no trabalho agrícola, é a sobrecarga de trabalho e as lesões e ferimentos por causa desta sobrecarga. As estatísticas mostram que aproximadamente 15% das crianças que trabalham em Moçambique sofrem lesões e ferimentos decorrentes desse trabalho infantil, porque carregam peso muito grande, ou usam facas, por exemplo, no corte de cana-de-açúcar. Isso compromete fisicamente as crianças”.

Aposta

A especialista de Proteção da Criança no Unicef em Moçambique defendeu a aposta na Educação como uma das medidas essenciais para a eliminação da prática.

“A melhor forma de prevenir o trabalho infantil é assegurar que haja escola, educação para todas as crianças, tanto as raparigas como rapazes”.

O  Unicef estima que mais de 1 milhão de crianças moçambicanas, dos sete aos 17 anos, são submetidas ao trabalho infantil.

 

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