Especial: Curso de português para facilitar a integração de refugiados no Brasil

6 junho 2012

Por meio de aulas organizadas pelo Acnur, cidadãos de várias nacionalidades, que vivem em Manaus, encontram no idioma uma maneira de inserção na sociedade.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Em dezembro de 2010, a colombiana Angélica Lozano resolveu fugir do conflito armado e da insegurança da cidade em que vivia, Letizia. Acompanhada dos três filhos, ela chegou ao Brasil pela cidade de Tabatinga, no Amazonas, que faz fronteira com a Colômbia.

De Manaus, Angélica Lozano relembrou o começo no Brasil durante entrevista à Rádio ONU. Uma das maiores dificuldades, segundo ela, era entender o que os outros falavam, e ser entendida.

Aprendizado

“O português tem algumas coisas muito parecidas com o espanhol, mas na pronúncia é muito diferente. Foi complicado saber que algumas coisas não se podiam falar, porque temos coisas em espanhol que são diferentes.”

Por meio de aulas organizadas pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, Angélica começou a aprender português no ano passado. As classes, em Manaus, ocorrem três vezes por semana. Uma nova turma começou em maio.

De acordo com a agência da ONU, vivem atualmente no Brasil refugiados de 70 nacionalidades.

Aspecto Cultural

De Brasília, o representante do Acnur no país, Andrés Ramirez, destacou que falar português é fundamental para a inserção na cultura brasileira.

“A verdade é que é uma política nossa fundamental, para poder garantir que as pessoas possam se inserir no mercado de trabalho. Uma das dimensões fundamentais para entrar no processo de integração da sociedade brasileira é o tema da cultura. E um aspecto chave da cultura é o tema da língua. Nós temos feito questão de garantir que as pessoas possam ter aulas de português.”

As aulas são organizadas pelo Acnur em parceria com a rede Cáritas. Segundo a agência da ONU, o curso tem didática específica para facilitar o ensino do idioma aos adultos.

Adaptação

A colombiana Angélica Lozano conta que as aulas foram essenciais para mudar a rotina dela no Brasil.

“Realmente mudou muito, porque nós socializávamos, estávamos juntos. Eu saía das aulas e começava a falar com todo mundo. Foi uma ajuda muito grande, realmente, as aulas para nós. Fiquei muito mais confiante. A gente conseguir entender o que os outros nos falam é um processo. É um processo, mas graças a Deus, deu certo.”

Angélica Lozano lembra que a adaptação ao novo idioma foi difícil no começo, não só para ela, mas também para os três filhos.

“Sobretudo para a menina mais velha. Os mais pequenos aprendem mais rápido. Mas nós, mais velhos aprendemos mais devagar. Ela começou a faculdade esse ano.”

Angélica destaca que com as aulas de português vieram outras conquistas: ela conseguiu um trabalho na Cáritas Manaus e a filha mais velha está cursando Direito.

 

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