Charles Taylor sentenciado a 50 anos de prisão por crimes de guerra

Charles Taylor sentenciado a 50 anos de prisão por crimes de guerra

No desfecho do caso de cinco anos, Tribunal Especial para Serra Leoa decidiu que antigo presidente liberiano ajudou e incitou a prática de crimes de guerra durante a guerra civil de 10 anos no país vizinho.

[caption id="attachment_215039" align="alignleft" width="350" caption="Charles Taylor"]

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O antigo presidente da Libéria, Charles Taylor, deve cumprir uma pena de prisão de 50 anos por ajudar e incitar a prática de crimes de guerra durante o conflito civil de 10 anos na Serra Leoa. Ao receber a sentença, Taylor, de 64 anos, foi convidado a se levantar e não se pronunciou.

O veredicto foi anunciado, esta quarta-feira, na cidade holandesa de Haia, pelo juiz Richard Lussick.

Custódia

Na sentença, o magistrado indica que a câmara decidiu, por unanimidade, sentenciar Charles Taylor a 50 anos de prisão pelas acusações em que foi considerado culpado. De acordo com o juiz, a pena tem efeitos a partir de 29 de Março de 2006, data em que o antigo líder ficou sob custódia em ligação com o caso. O que reduzirá o tempo de cadeia para 45 anos.

A decisão indica que o conflito da Serra Leoa e a prática de crimes teriam terminado muito mais cedo, se Taylor não tivesse dado apoio financeiro, logístico e moral aos rebeldes da Frente Revolucionária Unida,  RUF.

Crimes

O Tribunal defende ainda que Taylor usou a sua posição como presidente para ajudar e estimular a prática de crimes ao invés de promover a paz e a reconciliação no país vizinho.

De acordo com os magistrados, o antigo presidente não demonstrou nenhum remorso pelos crimes cometidos nem aceitou a responsabilidade por ter cometido os actos que resultaram na condenação.

Para o tribunal, Charles Taylor lucrou com os diamantes que recebeu dos rebeldes da Serra Leoa, em troca de armas e de munições.

Foi a 26 de Abril, que Charles Taylor foi declarado culpado por crimes de guerra e contra a humanidade, no julgamento que durou cinco anos.