Especial: Soaram tambores em memória de escravos na ONU

16 maio 2012

Por uma noite, o som de tambores substituiu as palavras dos líderes mundiais na sala da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Centenas de pessoas juntaram-se, nesta terça-feira,  para recordar o fim da escravidão e do Comércio Transatlântico de Escravos. O lema do concerto foi "Honrar os Heróis, Resistentes e Sobreviventes".

A abrir o espetáculo, o embaixador de Angola, Ismael Martins. Foi um dos poucos intervenientes em representação de um país onde milhões de pessoas foram forçadas a partir para o mundo para servir como escravos.

Memorial

A União Africana é representada na cerimónia pelo seu embaixador junto das Nações Unidas, Téte António. Para ele, em momentos raros deve ser feita uma profunda reflexão.

O diplomata participa no projeto do Memorial Permanente na ONU em Honra das Vítimas da Escravidão que envolve várias nações.

Presença

As atuações são abertas pela cantora haitiana Rachelle Jeanty. Vencedora de vários galardões, e por anos acompanhante da célebre Celine Dion, ela apresenta o que lhe valeu a presença na ONU.

A partir do antigo ponto de partida de escravos para a América e Europa, a plateia embarca na dança e com o tambor tocado com paus e mãos. Do

Percussionista

Senegal, Mbaye Dyeye Faye e a banda Sing Sing Rhytm. O músico é tido como melhor percussionista do seu país onde foi celebrizado por tocar com Yossou Ndour.

O palco da ONU foi pretexto para apresentar um documentário que traça a rota dos escravos abordando também Angola, Moçambique e o início da escravidão em países como o Brasil.

“Rota do Escravo”

A produção “Rota do Escravo”, apoiada pela Unesco, teve uma introdução da antropóloga norte-americana Sheila Walker. Para ela, o contributo cultural dos escravos é inegável mas a importância do legado intelectual e tecnológico não pode ser esquecido.

O concerto foi abrilhantado pelo ritmo contemporâneo Hip Hop, trazido pela Banda Chen LO e Lo Frequency.

Rap

Enquanto a sessão decorre quero desvendar porque o momento faz sentido para Fernando da Lima e uma das suas acompanhantes.

Quase ao final do concerto, os tambores anunciam o contributo jamaicano: A banda Reggae Ambassadors a representar o antigo centro de com rcio de escravos e forte produtor de cana. De lá dançar reggae na sala dos maiores debates do mundo.

Entre tambores, coros e desfiles de vozes vários apelos foram lançados para que haja contribuições para o Memorial Permanente de Honra das Vítimas de Escravatura e do Comércio Transatlântico de Escravos.

Pretende-se que a obra, além do espetáculo, esteja na sede da ONU que a 25 de Março marca o Dia Internacional de Recordação das Vítimas da Escravatura e do Tráfico Transatlântico de Escravos.

 

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