Com 68 anos, agente de segurança fala do desafio de idosos moçambicanos

9 maio 2012

Apesar da força e disposição de expor-se a riscos, Adriano Inguane aborda perspetiva sobre a terceira idade; o assunto é discutido na Comissão Económica da ONU para a América Latina, Cepal.

Manuel Matola da Rádio ONU em Nova Iorque.

Aos 68 anos, Adriano Inguane trabalha como segurança numa residência no centro da capital moçambicana, Maputo. A actividade extra foi abraçada após ter-se aposentado como comerciante.

Apesar de não ter contacto permanente com as diversas instituições públicas moçambicanas, o sexagenário fala da relação entre idosos e o atendimento hospitalar, tidos como preocupações para indivíduos da sua geração.

Atendimento Hospitalar

“Hospital sempre tem mau atendimento, principalmente aos idosos. Se eu estiver doente e for ao hospital é sorte eu sair vivo. Estou a ver que há mau atendimento para os idosos”.

Também os transportes públicos representam um problema para as pessoas da terceira idade em Moçambique, defende Adriano Inguane.

Idade Avançada

“Tem tratado bem, mas como ainda estou a pagar não estou a ver bem. Eu não devia pagar, porque já tenho a idade um pouco mais avançada. Mas continuo a pagar”.

O Fórum da Terceira Idade, uma organização não-governamental moçambicana que vela pelos idosos no país, revelou recentemente que cerca de 20 pessoas de terceira idade foram assassinadas em Moçambique em 2011, acusadas de feitiçaria.

Protecção dos Idosos

Inguane fala do impacto na sua vida da elaboração, pelas autoridades moçambicanas, de uma proposta de Lei sobre a Protecção dos Idosos, a ser submetida ao Parlamento.

“Eu nunca vivi. Ouço dizer mas nunca vivi. Fica mal, porque os idosos onde é que vão viver? Têm que viver aqui, perante os outros. Há essas coisas, mas só que nunca assisti. Só ouço as pessoas dizerem isso. Nunca me zanguei com os vizinhos. Da minha parte não tenho tido problemas com os vizinhos. Não sei os outros idosos”.

Desafios

Mas a realidade do idoso inclui também desafios na própria família onde, segundo defende o nosso entrevistado, os idosos sofrem abusos.

“Há os que tratam mal os idosos. Os filhos mesmos tratam mal o pai e tanto como a mãe. Isso é que não sei. Não acho bem. Fico muito chocado.”

Necessidades

A resposta das instituições oficiais está longe de satisfazer as necessidades da população idosa, como aponta o entrevistado. Ele fala da posição de vulnerabilidade e termina a conversa apontando como podem ser satisfeitas as necessidades dos idosos desfavorecidos da sua geração.

“O governo tem que ver o Estado dos idosos. Arranjar um centro para eles ficarem lá. Há os que são idosos mas não têm condições de viver e não têm filhos. Se não têm filhos vai passar mal esta pessoa. Aí o governo tem que fazer um centro para eles, dar vestuário. Existem, mas não sei se o governo está a assumir a sua responsabilidade.”

 

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