Unctad alerta para subida de preços em países em desenvolvimento

23 abril 2012

Preços de alimentos e dos combustíveis  acompanham tendência de agravamento dos valores de matérias-primas naturais e produtos agrícolas básicos.

[caption id="attachment_211330" align="alignleft" width="350" caption="Foto: FAO"]

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Os países em desenvolvimento sofrem com a subida dos preços de alimentos e dos combustíveis, que acompanha a tendência de agravamento dos valores dos recursos neles produzidos.

A constatação é da Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento, Unctad, no seu relatório “Mercadorias e Desenvolvimento 2012”, lançado, esta segunda-feira, na 13ª Conferencia Quadrienal em Doha.

Exportações

De acordo com o documento, o investimento estrangeiro, em matérias-primas naturais e em produtos agrícolas básicos, prejudica as receitas de exportação dos bens de primeira necessidade dos países pobres.

O aumento da especulação de bens e desvio significativo de terras agrícolas para produção de biocombustíveis são referidos no documento. O resultado é “uma mudança das forças subjacentes que determinam os preços dos bens.”

Expectativa

A Rádio ONU entrevistou, em Doha, Lucas Assunção, diretor de Comércio, Meio Ambiente e Mudanças Climáticas da Unctad. Ele falou da distribuição de recursos na era da globalização.

“Vê-se que alguns países do Sul, apesar de terem se beneficiado da globalização, esses benefícios não têm sido distribuídos de uma maneira equitativa, sobretudo em países menos avançados. Portanto, existem diferenças que têm de ser equacionadas. Nós temos uma expectativa positiva para o final dessa semana, mas o momento é um pouco delicado, pelo menos nesses três eixos de diferença no seio dos (países) membros da Unctad.

Produtividade

A África Subsaariana, ao lado dos países menos desenvolvidos não africanos, é tida como a região com a maior desfasagem de produtividade. Para a Untad, o investimento estrangeiro levanta uma série de preocupações sendo o desenvolvimento agrícola doméstico considerado um “pré-requisito para um maior desenvolvimento dos países pobres.”

O relatório aponta ainda que a baixa produtividade agrícola dos países pobres deve-se ao abandono sofrido pelo setor agrícola, antes da crise. A redução do rendimento agrícola é de 13 % em 1983 para 5% em 2009.

Caso Chinês

O caso chinês em África é considerado um dos exemplos do fenómeno de fluxo de capital estrangeiro em países ricos no continente. Entre 2003 e 2009, o investimento externo direto chinês aumentou quase sete vezes de US$ 33 mil milhões para US$ 230 mil milhões.

O investimento em forma de projetos é tido como preocupante pela potencial perda de posse de recursos naturais.

Um “possível repatriamento de lucros” pode privar os países africanos de divisas, necessárias para o pagamento de dívidas de serviços e investir em economia diversificação e desenvolvimento a longo prazo, aponta a Unctad.

Estima-se que em África, uma área equivalente a quatro vezes o tamanho da França tenha sido adquirida através do investimento estrangeiro. As aplicações na terra envolvem acima de 10 mil hectares em forma de arrendamentos até 99 anos.

 

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